Thursday, June 20, 2024

O PESO DOS ANOS!

 

O Peso dos Anos!

 

Os anos pesam nas articulações,

Nas dores e nas atribulações.

Na ansiedade e limitações

Físicas, psíquicas e de corações.

 

Os anos pesam pela vivência,

Pela frustração e experiência.

Pela fragilidade e consequência

De um corpo quase em dormência.

 

Os anos pesam na consciência,

De nem sempre ter a conveniência

De acreditar no futuro e a imanência

De um Deus na Sua transcendência.

 

Os anos também pesam na solidão,

De um ninho vazio do turbilhão

Dos filhos, que pela sua condição,

Foram tratar de vida e da profissão.

 

Os anos também pesam na felicidade

Do dever cumprido e da utilidade,

De uma via cheia e com vaidade

Dizer que vale a pena ter esta idade.

20/06/2024

Zé Rainho

Thursday, June 06, 2024

Justiça!

 

JUSTIÇA!

Costuma dizer-se que a justiça tarda, mas não falha. Hoje, um tribunal decidiu, ainda que essa decisão não possa considerar-se definitiva, porque há a possibilidade de recurso, deu um bom sinal ao condenar, com penas pesadas, alguns dos donos disto tudo, um banqueiro e um ex-ministro.

É um bom augúrio para que o povo volte a acreditar na justiça. Acreditar numa justiça igual para todos, para ricos e pobres, para os deserdados ou para os poderosos, para os honestos e para os vigaristas, para os cumpridores da Lei, das normas, das regras e para os chicos-espertos, que tudo contornam e aldrabam.

Ficamos felizes com este desfecho. Não por queremos mal a alguém e para ver pessoas privadas de liberdade, mas por ficarmos com a sensação de que a Justiça funciona e que ninguém está acima da Lei.  

Estas são notícias que nos dão esperança num país decente, por contraponto com o lamaçal que nos entra pela casa adentro, diariamente, com casos que nos envergonham como povo.

6/6/24

 

 

Friday, February 16, 2024

Intolerável

 

INTOLERÁVEL!

Há situações que não se podem admitir porque são absurdas, porque são vilipendiosas, porque são injustas, porque são intoleráveis.

Assistimos no final do mês passado, em directo pela televisão, ao aparato policial na Madeira que redundou na prisão de três indivíduos e da demissão do chefe do governo regional.

Passados 21 dias presos, os dois empresários e o ex-presidente da Câmara, que, entretanto, se demitiu, o juiz mandou-os em liberdade e afirmou, no acórdão, que não tinha visto indícios de qualquer crime.

Não é admissível que uma pessoa seja presa por um motivo fútil. Assim, ou o ministério público e a polícia judiciária andaram muito mal neste processo ou o juiz, pura e simplesmente, desvalorizou as provas apresentadas.

Qualquer destas instituições pode aduzir muitos argumentos para o que aconteceu, mas, para o cidadão comum, houve aqui algo de muito estranho, que pode ir desde o abuso de poder até à interferência judicial na política nacional e, seja qual for, a situação é intolerável.

Logo que se conheceu a decisão do juiz de instrução vieram os advogados de defesa e outros advogados ao serviço do regime a culpabilizar o ministério público. Caso estranho é que esses advogados do regime são sempre os mesmos e sempre atacantes do MP.

O Partido Socialista e o Partido Social Democrata, para além de figuras gradas da política, já vieram, também, questionar a justiça e a sua forma de actuar, particularizando esse ataque, no ministério público e na Procuradora-Geral da República e isso é igualmente intolerável.

A Justiça tem muitas fragilidades, mas isso não pode querer dizer que a política deve interferir nela. Os exemplos que vêm de outras latitudes não são nada abonatórias. Veja-se o caso de Orban da Hungria. Veja-se o caso de Putin da Rússia. Veja-se o caso de Maduro da Venezuela. Veja-se o caso do Irão, de Israel e nunca mais acabaríamos se os continuássemos a enumerar.

É intolerável que se molestem os cidadãos com esta ligeireza. É intolerável que se afrontem os políticos sem provas. É intolerável que não se assaquem responsabilidades aos dirigentes que permitiram que os seus subordinados procedessem desta maneira inqualificável.

Por isso o que se exige à Justiça e a quem a aplica é responsabilidade, imparcialidade e, sobretudo Justiça, quer esta seja protagonizada por Magistrados do Ministério Público ou Magistrados judiciais, mas nunca, nunca mesmo, deixar que a política tente condicionar a Justiça.

16/02/2024

Zé Rainho