Monday, February 08, 2021

MENTIRA!

 

MENTIRA!

Noutros tempos verdade e mentira eram antónimos e ponto final. Hoje não é bem assim. Hoje há a minha verdade, a tua verdade, a verdade e a meia-verdade. Há, do mesmo modo, a mentira, o lapso, a interpretação, o engano, o embuste, a fantasia, a fábula, a patranha, o logro, a falácia. E, para além destas mentiras, há a mentira descarada. Aquela que toda a gente vê que o outro, mente com quantos dentes tem na boca. Atente-se no caso das vacinas. A generalização da mentira não tem limites geográficos. Vai de Norte a Sul passando pelas Ilhas e beneficia sempre os mesmos. Os afiliados com cartão.

Verdade e mentira são isso mesmo, factos e não podem ter maneirismos nem rodriguinhos. Os factos demonstram a verdade e a mentira. Mas apesar dos factos chegámos a um tempo em que pululam os mentirosos que se autoconvencem e nos querem convencer de que dizendo um chorrilho de mentiras nos estão a dizer a verdade toda.

Eu nunca vi nem senti o que estou a sentir neste tempo, relativamente à mentira. Parece que esta está institucionalizada. Deixou de haver pudor. Mente-se, descaradamente, por tudo e por nada e, sem rebuço, desde as mais altas instâncias à mais reles das plebes. E, perante isto, em quem acreditar? Em quase ninguém. Continuo a acreditar nos meus amigos porque os meus amigos são homens e mulheres de bem e, por essa razão, são meus amigos.

Não me esqueço das histórias, contadas à lareira, pelos meus avós e meus pais, depois reforçadas com as poesias do manual escolar: “coitado do mentiroso mente uma vez, mente sempre, ainda que diga a verdade, todos lhe dizem que mente”.  Talvez nos devêssemos inquietar sobre que gerações criámos? O que é que fizemos para que tudo e tanto se tivesse alterado. Ou melhor, o que é que se alterou na sociedade para que a mentira prevalecesse sobre a verdade. É que vejo muita gente da minha geração ou pouco menos com a desfaçatez e o despudor de ignorar factos e mentir espalhafatosamente.

E donde vem a maior torrente de mentiras? De responsáveis políticos. De gestores da coisa pública. De doutos jurisconsultos. De gestores de topo. De jornalistas enviesados. De cronistas amestrados e outros.

Não sei conviver com este estado de coisas. Para mim verdade é só uma, independentemente dos pontos de vista, porque baseada em factos e mentira é mentira, pela mesmíssima razão. Eu não posso com mentirosos.

8/2/2021

Zé Rainho

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