NOSTALGIA!
Hoje deveríamos estar em família a celebrar os 54 anos da
nossa Lena, como é hábito, tradição e vontade de todos, mas não estamos, porque
a vontade de Deus é suprema e impõe-se à nossa da forma mais subtil.
Desde muito pequeno que sempre ouvi dizer que o homem põe e
Deus dispõe. Já tivemos muitas ocasiões, ao longo da vida, para verificarmos
como certo está o aforismo popular e, neste dia de aniversário, também saboreamos
o amargo – é o que nos parece hoje, quem sabe amanhã descobriremos que foi o
melhor que nos podia ter acontecido – de ver os planos gizados terem ido por
água abaixo.
A nossa Raquel teve, há sete dias, por motivos profissionais,
contacto de alto risco à Covid-19 e, por força das Regras de Saúde Pública –
muitas vezes pouco entendíveis, porque incoerentes e quantas vezes contraditórias
que obriga a quarentena, de quatorze dias, a quem tenha estado em contacto com
quem testou positivo - todo o plano de irmos comemorar o aniversário da irmã ao
Douro, foi por água abaixo, qual frágua agreste e agressiva.
Esta circunstância faz-nos estar a passar um dia de hoje nostálgico,
por comparação com os anos anteriores, porventura com uma tristeza desmesurada,
certamente com um sentimento de solidão.
No meio da turbulência uma notícia traz um raio de Sol
esplendoroso ao nosso coração atribulado, o teste que a Raquel fez ontem de
manhã apresentou o resultado NEGATIVO esta madrugada e isto é um alívio imenso,
porque temos a consciência de que esta doença é gravíssima e não dá tréguas a
quem não toma os cuidados devidos.
Mas este acontecimento também nos leva a pensar e a reflectir
sobre a linha de pensamento de uma quantidade de negacionistas sobre a vacinação
que pululam pelo País fora. Somos daqueles que preservamos e damos o maior
valor à liberdade individual, mas temos alguma relutância em aceitar que essa
liberdade colida com a liberdade do próximo, do semelhante. Parece-nos mesmo
que, quando um indivíduo não é capaz de, por si, se orientar numa sociedade
civilizada, tem de ser coercivamente orientado por outrem. Desta forma
entendemos que deveria haver algum tipo de penalização, retaliação, pelos
prejuízos causados à sociedade pela sua forma de agir que causa prejuízos
incalculáveis à sociedade. Desde logo ao aumento de despesas no Serviço
Nacional de Saúde que é pago por todos nós, para além dos prejuízos colaterais
que provoca às pessoas e às empresas, na vida pessoal e colectiva. Isto para
não falarmos em consequências, muitas vezes fatais, devidas a essa
inconsciência.
Se não somos favoráveis a proibições também não aceitamos
lassidão quanto ao incumprimento de regras e de Leis do País. Quando não há responsabilidade
não pode haver liberdade. Melhor dito, quem não sabe usar a liberdade
responsavelmente não pode deixar de ser punido pelo abuso, indevido, dessa
mesma liberdade.
Temos conhecimento que há negacionistas em todos os sectores
da sociedade desde juízes a líderes partidários, mas a Lei não pode ter
contemplações para com esses indivíduos se as suas atitudes acarretarem prejuízos
para outrem, seja quem for, Estado ou pessoa. Tal como se deve dizer NÃO a uma
criança para que ela saiba quais são os limites, o mesmo deve ser feito com os
irresponsáveis.
E isto leva-me a questionar a legitimidade de um individuo
com poder na sociedade de aplicar qualquer tipo de sanção a outro se não é
capaz de impor a si próprio os limites ao seu comportamento individual?
Por isso, enquanto cidadão e leitor, tenho o dever de
analisar bem o conteúdo da mensagem do poder político para assim fazer as
escolhas mais sensatas e, desta forma, possa haver leis mais equitativas.
09/08/2021
Zé Rainho
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