Saturday, December 31, 2022

Predisposição mental!

 

PREDISPOSIÇÃO MENTAL!

Não sou psicólogo, pelo que não suporto a minha opinião em bases científicas, mas tenho a convicção que a predisposição mental, condiciona e muito a forma como encaramos as mais diversas situações da vida.

Se estivermos optimistas, alegres, contentes, encaramos os acontecimentos de forma bem diferente daquela se estivermos deprimidos, taciturnos, tristes. Na primeira parece que tudo nos parece colorido, mesmo as coisas menos boas, encaramo-las com certa leveza relativizando os aspectos negativos, podia ser pior e assim por diante. Já, ao contrário, tudo parece negro, escuro, tenebroso, só a mim é que me acontecem destas coisas!

Hoje, a maioria de nós, encara este final de ano com alegria, com optimismo, sobretudo, com esperança de que o novo ano traga o melhor para o mundo e ainda bem que assim é, porque só pode ser mais cheio de cor o que aí vem, apesar das nuvens negras que se adensam sobre as cabeças de todos nós.

O ano que hoje finda foi mais um ano mau, que se seguiu a muitos outros de crise, de pandemia, de isolamento, de incerteza, de condicionamentos, de estados de emergência e de muitos outros atropelos à liberdade individual e colectiva, de trapalhadas governativas, de dissolução do parlamento, de eleições antecipadas e muitas outras diatribes ligadas à governação, mas também à justiça, à saúde, à educação, à segurança. Muitos processos judiciais de violência doméstica e todos os outros tipos de violência, de saques, de roubos, de corrupção e toda a panóplia de circunstâncias que nos transformam num dos países mais pobres da Europa, apesar dos PRR e outros fundos que os europeus despejam nos bolsos de alguns portugueses, que cada vez são mais e estão mais ricos, ainda que a maioria esmagadora seja cada vez mais pobre e cada vez sejam mais os pobres miseráveis.

O ano que finda foi mau, porque trouxe a guerra para as portas da Europa, abanando e deixando atarantados todos nós, os que nos habituámos à paz e à prosperidade, desde meados da década de quarenta do século passado.

A inflação trouxe-nos à mente os dias difíceis da década de noventa, do passado século, em comprávamos algo e o comerciante nos dizia: leve agora porque amanhã será mais caro. Trouxe-nos também um corte, significativo, nos salários de quem trabalha e nas pensões dos reformados, ainda que os nossos “zelosos” governantes nos queiram convencer que nunca estivemos tão bem como agora.

As trapalhadas governativas são o pão nosso de cada dia. Desde as sucessivas demissões de ministros e secretários de estado, até à inoperância das autoridades perante calamidades como os incêndios ou as cheias. Isto para não falar nas empresas públicas sorvedouros de dinheiros públicos sem controle e responsabilização ou para a quantidade de autarcas suspeitos e, alguns já condenados, de práticas lesivas do interesse público que juraram defender.

Não tendo muitas razões para encararmos o novo ano com optimismo é bom que o recebamos com esperança renovada de que tudo será melhor.

Não vamos esquecer todas as maldades que este nos trouxe para estarmos preparados e não nos deixarmos cair nas mesmas patranhas, mas vamos olhar para o que vem de forma descontraída, alegre, com um copo de espumante – a vida não está para champanhe – junto com os nossos familiares e amigos e desejar que todos e cada um faça a sua parte para que o mundo mude para melhor. Se não puder ser de outra forma, com o pensamento e a determinação de que se o mundo cair não seja com o nosso empurrão.

Como dizia o saudoso Raul Solnado, façam o favor de ser felizes. Um Ano Cheio de prosperidade, de coisas boas para todos.

31/12/2022

Zé Rainho

 

Thursday, October 06, 2022

Deuses!

 

deuses!

 

Aos deuses das antigas civilizações, grega, romana e egípcia, para referir apenas algumas, tudo era permitido, por serem considerados superiores aos humanos. Viviam no topo do Olimpo, num céu etéreo e por isso intocáveis.

Como todos os ídolos com pés de barro, desmoronaram-se com o tempo, perderam valimento e, consequentemente, o respeito dos que até aí os adoraram. Caíram em desgraça e esquecimento na memória humana. Pelo menos era isso que nós pensávamos, mas enganámo-nos. Os deuses estão de volta e aterraram todos em Portugal e quedaram-se pelos lados de S. Bento.

Só a um deus é permitido ir contra a Lei, torpedeá-la, afrontá-la, incumpri-la e nada acontecer. Qualquer mortal seria severamente castigado, porque o não cumprimento da Lei é crime e nem lhe acode a desculpa de a desconhecer, no acto da condenação. Ao deus não acontece nada e, pior do que isso, até tem toda a razão, segundo a opinião do Zeus cá do burgo.

E, assim, é ver ministros a gerirem empresas privadas, em flagrante conflito de interesses e contra a lei, como é o caso do ministro da saúde, que não só é dono de uma empresa, que agora disse que se vai desfazer, como delega competências num secretário de estado para tratar assuntos, cuja primeira interessada é a sua mulher. Se delega competências quer dizer que as competências são suas e por isso é que tem poder para as delegar. Não acontece nada porque é um deus. O Zeus disse que não é um caso!

Outro ministro entrega milhares de milhões de euros à TAP, para que esta possa ser concorrencial com as suas congéneres e se levantar da falência e esta empresa, em vez de começar um processo de ressarcimento, gradual, aos portugueses, pelos prejuízos causados, renova a frota automóvel, com viaturas de luxo, para os seus deuses se passearem a si e às suas excelsas famílias, à custa dos simples mortais. Questionado o Zeus disse nada saber!

Ainda outro vem a público com uma crónica – publicada num jornal de referência, ocupando espaço, que deveria ser considerado publicidade e, como tal pago – mas que vem referida como opinião que, em nosso modesto entender só é permitido a colaboradores do jornal, dizendo que a mulher de césar é séria. A um simples mortal não era dada esta oportunidade de propagandear a sua seriedade, a um deus tudo é permitido. O Zeus remete-se ao silêncio!

Outro queria contratar um antigo patrocinador, empregador e protector, como seu assessor, pagando-lhe o favor privado, com dinheiros públicos. Não se consumou porque a opinião pública fez estardalhaço. O deus mantém-se impávido e sereno no lugar, dizendo que o amigo era indispensável, mas agora pode esperar, porque afinal o cargo não é assim tão premente. O Zeus diz que não se mete nos assuntos dos ministros!

Poderíamos continuar, mas o cheiro é tão nauseabundo que mais vale ficar por aqui, tirando apenas uma conclusão: “aos deuses tudo é permitido e o melhor lugar para desenvolverem a sua actividade é Portugal e pela baixa lisboeta”.

6/1072022

Zé Rainho

Friday, August 26, 2022

Responsabilização!

 

Responsabilização!

Não gostaria de escrever sobre tanta asneira, tamanha insensatez, mas não posso calar a indignação perante tudo o que vejo e ouço sobre o que se passa no país.

Todos, quase todos, sentimos na pele as dificuldades que o país e o mundo atravessa e não precisávamos de ter de levar com a estupidez de quem tem obrigação de nos servir, porque é para isso que lhes pagamos.

Enquanto os responsáveis não interiorizarem a sua própria responsabilidade e a sua própria culpa, nunca teremos um país melhor, nem uma vida mais feliz. Deixem-me reflectir convosco uma hipotética cena na vida de um mau aluno.

Se um aluno tiver mau aproveitamento porque é relapso, preguiçoso, desinteressado, quezilento, perturbador do ambiente em sala de aula e os pais disserem que a culpa é do professor que não sabe ensinar, se o próprio considerar que a escola não é para ele, porque o que ele gosta é de bola, se a comunidade escolar entender que a culpa é do sistema e o miúdo é apenas uma vítima desse sistema, com toda a certeza que este aluno nunca fará as aprendizagens necessárias e suficientes para atingir os objectivos pressupostos para quem frequenta um qualquer estabelecimento de ensino e progrida na vida adulta e numa qualquer profissão.

Se, ao contrário, a culpa deixar de ser dos outros e passar a ser assumida pelo próprio. Se se capacitar que os maus resultados são fruto do seu desleixo e da sua preguiça e que isso traz consequências à sua vida, sejam elas da parte dos pais, da parte dos professores e até da parte dos colegas, então o menino(a) se não for desprovido de um mínimo de inteligência e raciocínio chegará à conclusão que tem de mudar de vida. Tem de passar algumas horas a estudar a matéria, tem de estar com mais atenção nas aulas. Tem de perguntar e pedir ajuda para as suas dúvidas, certamente verá, mais cedo do que tarde, que começa a ter sucesso escolar e social. Tem melhores notas. É mais aceite pelos professores, recebe elogio dos pais e até os colegas o aceitam no seu grupo por se ter tornado mais sociável.

Assim é na vida do dia-a-dia de cada um de nós. Assim devia ser na vida dos governantes, por maioria de razões, devido à sua incomensurável responsabilidade presente e futura, porque das suas decisões resultam repercussões para toda a sociedade, por vezes por gerações.

Esta semana foi pródiga em manifestações do mau aluno, por parte de governantes, que não assumem as suas responsabilidades e a sua culpa.

Comecemos, hierarquicamente, pela ministra com maior responsabilidade, por ser a segunda na hierarquia governamental. Veio a Manteigas dizer que o Conselho de Ministros vai aprovar medidas que vão deixar a serra da estrela melhor do que estava. Se isto não fosse demagogia era, de certeza, uma tontice. Então para quem perdeu tudo o que construiu numa vida, mesmo que o afoguem com dinheiro, alguma coisa ficará como antes? Então as memórias perdidas, o sofrimento e angústia sentida durante dias e noites sucessivas, alguma vez serão ressarcidas? Então a visão de animais mortos, queimados, para as pessoas que passaram toda a vida a tratá-los como se fossem da família, algum dia se esvairá daquelas cabeças traumatizadas? Esta senhora não tem só falta de sensibilidade tem, igualmente, uma elevada falta de bom senso.

Passemos para a outra tontice sobre o mesmo assunto, desta vez a secretária de estado da protecção civil. Que não falhou nada no combate ao incêndio. Que agora não é altura de investigar o que correu mal para que esta tragédia se desenrolasse em cerca de dez dias. Negar à partida que houve falhas é uma ofensa para quem sentiu na pele o atraso no envio dos meios necessários e suficientes e se viu sozinho a lutar contra o monstro. Dizer que os meios aéreos não puderam actuar no início do incêndio, por ser de noite, e depois não envidar esforços para que esses meios chegassem ao romper da aurora e só chegassem às quatro horas das tarde não é uma contradição, um disparate? Então se não se investiga agora que está tudo fresco na memória das pessoas e há vestígios no terreno, quando é que se investiga? E que resultados espera quando tudo se tiver alterado, esquecimento e vestígios? Que, segundo o algoritmo em que se baseia já devia ter ardido mais trinta por cento do que ardeu. Que, afinal, esta tragédia não foi nada do que podia ser? O que é que esta senhora anda a fazer? Para que serve?

Mas não podemos acabar sem referirmos os dados da mortalidade infantil e da mortalidade em geral, que teve um aumento exponencial. Então não é da responsabilidade de ninguém? Ou é das crianças e das pessoas que quiseram por termo à vida? E das grávidas que tiveram de andar quilómetros para serem assistidas nos seus partos, como foi o caso daquela jovem mãe residente no seixal, que só pôde ser assistida cinco horas depois e andou a ser transportada de um lado para o outro indo parar às Caldas da Rainha a 150 quilómetros de distância. Não há responsáveis? Não há culpa? Ou será culpa da própria que se lembrou de gerar um filho? Há culpados e estes foram todos os ministros da saúde e primeiros-ministros da década de oitenta do século passado, que não deixaram formar mais médicos, segundo a ministra da saúde. Se isto não é uma tontice e um atirar de terra para os nossos olhos, só pode ser uma imoralidade.

As atoardas da ministra da agricultura sobre a seca e do ministro do ambiente sobre o aumento da água também fazem parte deste rol, isto para não falar na atitude do ministro das finanças e da troca de favores e da promiscuidade entre o jornalismo e o estado socialista. São todos inocentes?

E o silêncio ensurdecedor do primeiro-ministro e do presidente da república? Será que estes senhores foram eleitos por um povo que depois da eleição deixou de contar seja para o que for e por isso nem sequer dão a cara para confortar na desgraça que o país atravessa no campo da segurança, da carestia de vida, dos incêndios, do caos no SNS e nem uma palavra, uma atitude? Estão desaparecidos em combate?

Não assumir a responsabilidade e a culpa é não promover a alteração comportamental e não melhorar no futuro. Assim são estes governantes e assim não vamos lá.

25/08/2022

 

Zé Rainho

Tuesday, August 16, 2022

PROFESSORES?

 

PROFESSORES?

Cito, abaixo, uma ideia, hipoteticamente banal, deixada por quem sabe alguma coisa, há cerca de trinta anos:

“A tarefa de educar a juventude é demasiado importante e complexa para ser deixada … à mercê de progenitores ou estruturas informais”. (Aprender a ensinar, Richard I. Arends, 1995).

O ensino, particularmente depois do século XX, sempre foi uma actividade complexa, difícil, exigente e sustentada em bases científicas. Para tal preparavam-se os professores em início de carreira a dominar conhecimentos e a adquirir competências para os tornar profissionais competentes naquilo que se apelida de arte de ensinar. O professor é, pretende-se que seja, um profissional competente para que a sua acção educativa e de ensino seja eficaz. E para isso as antigas Escolas Normais e as Universidades preparavam os professores com conhecimentos científicos que depois eram complementados com prática em sala de aula, através de estágios tutelados por profissionais mais experientes, para além da formação contínua que todas as profissões requerem e necessitam para serem eficientes, para que a docência seja uma profissão nobre, prestigiada e indispensável à construção de sociedades mais desenvolvidas, mais democráticas, mais solidárias, mais humanas.

Esta é uma constatação em todo o mundo civilizado e em Portugal também foi até agora. Deixou de ser no ano lectivo 2022/2023.

Para ser professor serve qualquer pessoa que possua uma licenciatura, na perspectiva do actual Ministério da Educação português.

Se isto não fosse uma tragédia, com consequências inimagináveis no futuro, daria para rir. Assim dá para chorar, de pena, pelas nossas crianças, adolescentes e jovens, que sem culpa própria, vão ser uns analfabetos funcionais com diplomas dos vários graus de ensino.

Se valesse a pena eu aconselharia o ministro da educação a estudar como se fazia educação em Atenas há dois mil e quinhentos anos, mas não vale a pena, porque só aprende quem tem consciência que ainda lhe falta conhecer muita coisa, quem sabe tudo, recusa-se a aprender, seja o que for.

 De todo o modo fica a dica: - Em Atenas preparava-se a educação dos jovens, visando atingir o objectivo principal que era a formação de indivíduos completos. O mesmo é dizer que se queriam indivíduos com boa preparação física, psicológica e cultural.

Para tal era necessário a existência de pedagogos - tutores que acompanhavam o jovem em todo o tipo de aprendizagem – que eram as figuras intelectualmente mais bem preparadas existentes nas Cidades-Estado.

Vivemos num País maravilhoso, em pleno século XXI, retrocedendo muitos milhares de anos, mas isso não preocupa nem Primeiro-ministro, nem governantes, nem pais, nem sociedade civil, nem, sequer, o Supremo Magistrado da Nação porque é que eu, velho alquebrado, esclerosado, caduco, me estou a preocupar com estas “ninharias”?

17/08/2022

 

Zé Rainho

 

 

 

 

Sunday, August 07, 2022

Delicado!

 Delicado!


Falar de violência é, em si, um acto violento e por isso, muito delicado para quem tenha alguma sensibilidade humana.

A vítima de violência, seja de que género for, merece o maior respeito, o máximo de carinho e compreensão, o maior e melhor apoio, no sentido de minimizar a dor, a angústia, o sofrimento.

O predador, o criminoso, o promotor de violência deve ser, exemplarmente punido, seja ele quem for, independentemente da profissão ou estatuto social de que usufrua.

A Comunicação Social tem a rigorosa obrigação de dar ênfase a todos os casos de violência para que o mundo saiba quem são os criminosos e, independentemente da condenação, que venham a ter, das autoridades judiciais tenham, também, o repúdio da sociedade. 

As autoridades tudo devem fazer para que punir o prevaricador e, publicamente denunciar as atrocidades cometidas. 

Postos estes pontos prévios importa agora separar as águas e dar conta de todas as situações e não só de algumas. 

Todo o bicho careta e até as mais altas individualidades têm feito eco dos abusos sexuais levados a cabo por alguns elementos da Igreja Católica e fizeram muito bem. A própria Igreja e os seus dirigentes máximos devem exigir o apuramento de todos os casos e, no imediato, expulsar do seu seio, os indignos de fazerem parte da sua comunidade. 

Porém, a sociedade não deve ser manipulada com um só assunto até à exaustão para, porventura, se esquecerem todas as formas de violência praticada por outras instituições, serviços, o próprio Estado. 

Há violência grave quando se deixa morrer um bebé porque o hospital da zona de residência da parturiente não tem condições para realizar a função nobilíssima de ajudar a nascer.

Há violência quando se calam os casos denunciados de alunas e alunos da Faculdade de Direito de Lisboa e da Universidade de Aveiro, quem sabe de outras Universidades, e passados meses não acontece nada.

Há violência quando crianças ou idosos desaparecem do seio das suas famílias ou comunidades e passam, dias, semanas e meses sem notícias e, quiçá, sem o empenhamento necessário é indispensável para a sua descoberta e razão do seu desaparecimento. 

Há violência quando se vê uma vida destruída por calamidades, naturais ou provocadas e o Estado não providencia, a tempo e horas, prevenindo e antecipando a possibilidade da sua existência. 

Há violência quando a Lei não acautela o direito das pessoas não serem enganadas pelos burlões individuais ou colectivos, como é, por exemplo, o caso de empréstimos bancários que depois transformam em créditos vendidos a fundos de investimento abutres, que depois se apropriam de bens de pessoal humildes que deixam na miséria e, muitas vezes, sem abrigo.

Há violência quando uma pessoa trabalha e não aufere o suficiente para suprir as despesas mais básicas como é o caso da própria alimentação. 

Há violência quando o Estado lucra com a miséria da sua população para, depois, malbaratar dinheiro público em ajustes directos a amigos e correligionários. 

Há tanta violência que é preciso tudo fazer para a erradicar, da Igreja Católica, mas também de todos os demais sectores da vida nacional. 


7/08/2022


Zé Rainho 

Friday, July 29, 2022

ESPERA!

 Saber esperar é uma virtude. A espera é paciente, é constante, é serena, é controle emocional, é esperançosa, mas, também, é ansiosa, é desesperante, é depressiva, é desmotivadora. 

Esperamos a vida toda por algo que ambicionamos ou, mesmo, do que precisamos  e essa espera já não pode ser virtuosa porque desiludiu a esperança. 

Penso não estar muito enganado se disser que o povo português já desespera de tanto esperar. 

Esperámos por D. Sebastião. Esperámos pelo liberalismo. Esperámos pela República. Esperámos pela Ordem, a paz e o progresso. Esperámos pelo fim da ditadura. Esperámos pela revolução. Esperámos pela democracia. Esperámos pelo desenvolvimento económico e social. Esperámos, esperámos, esperámos e continuamos a esperar que alguém ponha este país nos eixos. 

Não há forma. Não há vontade. Não há gente capaz. Não há, sequer, povo com crença e com garra para não esperar pelos outros ou para que alguém faça. 

E assim acontece, é tudo para amanhã quando devia ser para ontem. 

Na saúde criam-se estruturas que hão-de resolver o descalabro e a descrença. Na justiça não se mexe porque isso é interferir com órgãos de soberania independentes. Na educação mexe-se no currículo para criar motivos de distracção e, no essencial, mantém-se tudo na mesma, quando não piora.

Na segurança é a falta de recursos humanos e materiais e o avolumar da criminalidade, cada vez mais violenta, a soma de mortes roubos e outros delitos. 

Na segurança social anda-se a apagar fogos tapando a cabeça destapando os pés ou vive-versa. 

Na casa da democracia é a indigência política a começar pelo seu presidente. 

Na mais alta magistratura da Nação é o hiper-activismo para aparecer em todo o lado e constantemente, com afecto, para esconder  a ineficácia da acção. 

Por tudo isto resta-nos esperar e, quem muito espera desespera, por dias melhores ou por algum marciano que venha por ordem na casa.

Por mim vou esperar sentado para ver se não me canso. 


28/07/2022


Zé Rainho 

Thursday, July 21, 2022

TRÊS PAÍSES!

 


Não percebo nada de política e nem quero perceber, mas gostaria de entender a visão dos políticos para o presente e para o futuro deste país, porque o passado já o vivi e senti e muitas coisas não foram por aí além.

Ontem debateu-se o estado da Nação – quando escrevo estado da Nação vem-me logo à memória a célebre frase de Salgueiro Maia onde, entre outras coisas disse, o estado a que isto chegou! – e no muito pouco que vi pareceu-me existirem três países, todos diferente e todos iguais. O País do Costa; o país da oposição, toda, e o meu país.

Para o Costa, este é o País das maravilhas onde toda a gente vive muito bem e vamos no rumo certo para o enriquecimento.

Para a oposição está tudo mal e vamos a caminho do desastre e da tragédia.

Para mim vivemos no país do caos, do desleixo, da impunidade, do empobrecimento acelerado, individual e colectivo, para o definhamento dos valores humanos e patrióticos que, mais cedo do que tarde, se vão revelar catastróficos.

Porventura, nenhum deles é o retrato fiel da realidade, mas tenho a presunção de que o meu é o que mais se aproxima. Atentemos:

O número de pobres está constante e inexoravelmente a aumentar. Se precisássemos de exemplos bastava ver os números do INE, da PORDATA e ouvir os gritos do Banco Alimentar, da Cáritas, da Cruz Vermelha, dos Párocos nas Igrejas e os constantes apelos à boa vontade da população para ajudar a mitigar a fome que grassa pelo país fora;

A tragédia dos incêndios, apesar dos milhões gastos no seu combate, que deixa os pobres, mais pobres, sem o pouco que tinham;

As grávidas, que têm de andar de Hospital em Hospital para terem as suas crianças e, depois deste sufoco, ansiedade e risco de vidas, se verem tratadas pelo primeiro-ministro como números sem importância (0,3%) na sua, dele, opinião;

O número de mortes, sem explicação científica, com desculpas esfarrapadas como onda de calor, covid ou outras, quando se conhecem casos de cancro que não foram diagnosticados por falta de resposta do serviço nacional de saúde, com espera superior a dois anos;

A inflação, que já comeu um mês de salário, a quem já tinha imensas dificuldades em gerir um orçamento para chegar ao fim do mês;

Os combustíveis, mais caros da Europa Comunitária e os salários mais baixos desta comunidade de países;

A violência sobre idosos e mulheres, praticada por bandidos que, às vezes, até são familiares das vítimas, por falta de recursos humanos de segurança nos Organismos policiais;

Os aeroportos, atulhados de gente e malas abandonadas, com manifesta responsabilidade da TAP, empresa onde metemos dinheiro às pazadas;

Alunos sem professores meses e, nalguns casos, um ano lectivo inteiro, um currículo desajustado e com entorses ao ensino verdadeiramente democrático;

Avisos do Tribunal de Contas de que há vários casos de má aplicação dos dinheiros públicos sem que haja a competente responsabilização e penalização;

Da Justiça, sua morosidade e injustiça perante os mais desfavorecidos e os que não podem pagar os Trutas dos Advogados, nem vale a pena falar;

As portas giratórias por onde os responsáveis políticos se pavoneiam depois de saírem da governação, para não falar na promiscuidade e no conflito de interesses que os mesmos nem se preocupam em esconder, o último caso conhecido é o do Presidente do IEFP;

Os apoios dados a empresários amigos do regime e dos detentores de cargos políticos relevantes, com referência ao último escândalo com o dono da TVI, quando a maioria das empresas não tem acesso a pequenas ajudas para a retoma da sua economia empresarial;

Podíamos continuar, mas acho que já basta para analisarem estes três países diferentes, mas que queremos que continue a ser o nosso, o de todos nós, nem do Costa e seus muchachos, nem da oposição e seus demagogos.

21/07/2022

Zé Rainho

 

Saturday, July 16, 2022

A MODA!

 

A MODA!

A moda é o substrato do esquecimento. Aquilo que hoje esquecemos foi ontem o nosso encantamento. Aquilo que hoje é o nosso enlevo, amanhã não passará de recordação. É efémera. Quase me atrevia a dizer que é inútil, embora aceite que o ser humano é um constante insaciável e, como tal, necessite da ilusão para se sentir feliz. Mas, a moda entra na nossa vida, sem bater à porta nem permissão e acomoda-se no sofá da nossa permissividade, o que no mínimo é alienável e pode configurar total obscurantismo.

Quando falamos de moda não nos estamos a referir, como é óbvio, apenas, ao vestuário, ao calçado, ao penteado ou outros adereços que compõem a nossa aparência. A moda é muito mais do que isso e enxameia todos os sectores da vida nacional só que, umas vezes é mais discreta e outras mais atrevida e provocatória.

Comecemos pelo futebol. A moda hoje não é jogar bem à bola é, antes, comentar lances, hipotéticas faltas, estratégica e tácticas de jogadores e treinadores. Quem tem o palco não são os intervenientes no terreno, são os comentadores, os especialistas. A moda é, pois, os especialistas. Estes é que têm tempo de antena. Um jogo demora noventa e poucos minutos, o comentário, por diversos especialistas, demora quatro horas.

Por aqui vemos, também, que hoje há a moda dos especialistas. Há-os para todos os gostos e feitios, ainda que a maioria deles nunca tenha experienciado fazer o que comenta. E, como não sabe fazer, comenta, fala, manda bitaites, dá palpites.

Se isto é verdade no futebol, também o é nos incêndios, só para dar um exemplo da actualidade. Ninguém ouve um bombeiro, um comandante de bombeiros, que anda dias e noites, horas sem fim, no meio de um braseiro infernal, esgotado, física e psicologicamente, sobre o que está a viver. As suas angústias e da sua família. As perdas próprias para defender as perdas alheias, mas aparecem, aos magotes os especialistas estrelados a dizer coisas, muitas delas sem nexo. E são mais que as mães. Transportados em carros de luxo, tudo sofisticado, enquanto o bombeiro se deslocou para a tragédia – agora não se designa assim, porque os estrelados entendem que se deve chamar teatro das operações - num carro de combate, muitas vezes a cair de podre. São modas.

Mas também os políticos, os que têm as maiores responsabilidades, que se arrogam o direito de ser especialistas e dizerem que a culpa é das pessoas que trabalham a terra. Que são descuidados. Que não registam os terrenos. Que não os limpam. Esquecendo-se que a maioria dos pequenos proprietários fica sem nada para o seu sustento, não têm dinheiro para comer e para os medicamentos, quanto mais para limpar uma floresta que não lhes dá nada, mas que enche os bolsos a muita gente, que nada fez por ela. Enquanto isso vêem os terrenos cuja responsabilidade é dos organismos estatais sem qualquer tipo de intervenção, na boa prática de “bem prega frei Tomás, façamos os que ele diz, mas não o que ele faz”. São especialistas.

Se formas para a Educação, para a Saúde, para a Justiça, para a Segurança não acontece nada de diferente. Quem mete as mãos na massa – quem trabalha no duro, não quem se aproveita dos louros ou do dinheiro - não tem voz, mas os especialistas de gabinete, atordoam-nos com soluções mirabolantes, de sucesso indiscutível.

São modas e, tal como a moda, talvez passe depressa.

15/07/2022

Zé Rainho

Thursday, July 14, 2022

DISTRACÇÂO!

 

DISTRACÇÃO!

Parece que anda toda a gente muito distraída neste país. Parece que ninguém dá conta do sistemático e recorrente atropelo às Liberdades, individuais e colectivas, tão caras à Constituição da República Portuguesa e aos democratas que ainda existem, embora cada vez menos.

Tudo começou com a declaração do Estado de Emergência quando do aparecimento da Pandemia em 2020. Este Estado de Emergência foi sucessivamente renovado de quinze em quinze dias, limite temporal, legal. O Presidente da República deu o mote e o Governo espraia-se em dissertação sobre o mesmo assunto. Por tudo e por nada aí vai mais um Estado de Excepção, porque isso lhe permite todo o abuso que entender.

Lembrem-se da arrogância de governantes que culpam as pessoas. São irresponsáveis. Não se sabem comportar. Porque não usam máscara. Não cumprem a distância social. Ninguém se lembra de que no início da pandemia uma das mais altas responsáveis pela saúde em Portugal dizer: “a máscara não deve ser usada porque dá uma falsa sensação de segurança”.

Lembrem-se de que, não fora um distinto militar e o seu pragmatismo, se houve muitas mortes por Covid-19, muitas mais haveria porque as primeiras vacinas só eram destinadas aos amigalhaços partidários.

Lembrem-se de que nenhum de nós pôde sair de casa enquanto se faziam manifestações políticas e ajuntamentos de pessoas partidariamente comprometidas, como é o caso da CGTP.

Lembrem-se da venda do Novo Banco e dos respectivos responsáveis que continuam alegremente em posições chave da Nação depois de nos terem obrigado a pagar quase de quatro mil milhões de euros e ainda não nos saiu do pescoço a espada de mais de mil milhões no futuro.

Lembrem-se de que nos obrigam a pagar uma TAP, arruinada e ruinosa, que não serve os interesses nacionais, mas serve muito os interesses partidários.

Lembrem-se dos comboios adquiridos à Espanha, que era uma pechincha, e depois se soube, muito sigilosamente, que afinal não podiam circular devido à quantidade de amianto contido no seu interior.

Lembrem-se da trapalhada do aeroporto que agora é e depois deixa de ser, apesar da publicação em Diário da República, e não acontece nada.

Lembrem-se das urgências encerradas e das imensas horas que as pessoas esperam por consultas nos hospitais e a responsável pelo caos diz que está a trabalhar.

Este Governo mesmo em minoria, sempre com a desculpa da opinião dos técnicos, fez questão de, durante quase dois anos, nos ir limitando as nossas liberdades com Estados disto, daquilo e daqueloutro.

Com maioria absoluta caiu rapidamente no poder absoluto. Não dá cavaco a ninguém, faz o que muito bem lhe apetece, com o descaramento de dizer sempre que está disposto a dialogar.

Estamos num tempo quente, todos o sentimos e constatamos, mas será que é uma coisa nunca vista ou sentida? Tenho as maiores dúvidas.

Há anos que temos vindo a sentir os rigores da seca, anos muito chuvosos, anos muito quentes e outros excepcionalmente frios. Lembram-se de 2017, incêndios no Pedrógão? Não era este Partido que estava no Governo? Não era o PM o mesmo?

Perante estas condições climáticas justifica-se a declaração de Estados de Contingência? A mim parece-me que não. Parece-me que não, pela simples razão de que isso abre a porta para, por tudo e por nada, por coisas graves e coisas de Lana caprina, um qualquer ministro se arrogar o direito de decretar um qualquer Estado de … para poder, livremente e sem escrutínio, fazer todas as arbitrariedades que entender, incluindo o desperdício de dinheiros públicos.

Há, e sempre haverá, situações que fogem à normalidade. Não é para isso que são necessários os Governos? Não é para obviar às consequências da anormalidade que se gasta uma pipa de massa com governantes, assessores, agências, disto, daquilo e daqueloutro?  Se tudo fosse uma rotina não havia necessidade de haver governo, nem necessidade de Instituições.

Os bombeiros queixam-se e bem, que são eles que dão o corpo ao manifesto mas que no fim quem manda são os dos gabinetes.

O Tribunal Constitucional, quanto a mim um pouco tarde, mas mais vale tarde do que nunca, vem, num acórdão sobre os confinamentos, dizer que o governo não tem competência para coarctar a liberdade individual, nem mesmo o parlamento.

Perante o que estamos a assistir ninguém diz nada? E a Comunicação Social qual é o seu papel? Será que a censura deixou de se fazer com lápis azul e passou a fazer-se por telefone ou conversa de pé de orelha?

Temos de estar atentos e não andar distraídos.

13/07/2022

Zé Rainho

Monday, July 11, 2022

ESTADOS DE !...

 

ESTADOS DE!...

A Democracia assenta em regras que não podem ser violadas, sob pena de se ir transformando, aos poucos, e o produto final nunca será brilhante.

Temos exemplos que nos demonstram que os sistemas democráticos ou são construídos, por todos, diariamente, ou definham, modificam-se, alteram-se e os efeitos são devastadores. Facilmente se passa de uma democracia laxista a musculada. De uma democracia musculada a uma ditadura da maioria ou, mesmo, da minoria com poder de influência e manipulação.

As coisas não são estáticas nem eternas. A vida também não. É preciso ir fazendo adaptações, ajustes, de acordo com as circunstâncias, mas tais, nunca podem ou nunca devem ser ao arrepio da Lei ou martelando a mesma. Há muitas maneiras de matar pulgas!

Na nossa Lei Fundamental há direitos que são invioláveis. Na prática, será assim?

A Pandemia do Covid-19 veio trazer alterações, a maior parte das vezes, perfeitamente dispensáveis por desnecessárias. Ainda se há-de estudar o que aconteceu no País e resto do Mundo para se perceber as atitudes dos diferentes governos e respectivas consequências. É sabido que houve países que nunca confinaram e outros que, praticamente, nunca desconfinaram, ou confinaram e desconfinaram a ritmos e por períodos diferentes.

Estas atitudes tiveram consequências graves para as respectivas populações. No nosso caso, parece-me que a Pandemia se transformou em Epidemia que se vai eternizar, pelo menos enquanto o Partido maioritário actual, o PS, estiver no Poder.

O PS tem tiques ditatoriais, desde sempre. Tem facções que não conseguem esconder o seu apetite pelo poder absoluto e a ideia de que “quem não é por nós é contra nós”. Esta afirmação não quer branquear os defeitos dos restantes partidos legais, da política nacional, apenas se refere hoje, aquele que nos governa, nesta altura e é objecto desta análise. Não podemos esquecer a frase “quem se mete com o PS leva, como não se pode olvidar a bravata do “animal feroz”,  ou do “eu não sou fragilizável”, como temos de ter em conta a rede de familiares e amigos que enxameiam o Poder e os Boys que são colocados estrategicamente em lugares de relevância que condicionam a vida de todos nós.

Quando o Presidente da República decretou o primeiro Estado de Emergência que depois foi prorrogando por mais quinze vezes deu azo a que o Governo se permitisse, a meu ver abusivamente, continuar a declarar vários estados de Calamidade, de Contingência e de Alerta.  

Deixem-me abrir aqui um parêntesis, supostamente protecção da população, mas na prática é mais o condicionamento da população. Um exemplo prático e caricato. Um doente precisa de ser socorrido, urgentemente, reside a um minuto do quartel dos bombeiros, não pode pedir ajuda directa a estes. Tem de pedir ao 112 que acciona o CODU e este solicita a ambulância aos bombeiros mais próximos. Em vez de um minuto perderam-se, nesta burocracia, pelo menos dez ou muitos mais.

Voltemos ao assunto. A Lei da Protecção Civil, Lei 27/2006, artigo 8 nº 1 alínea a) dá a esta entidade o poder de propor, desta forma simples e expedita, ao membro do Governo que a tutela, a declaração de estados de Alerta, Contingência e de Calamidade que, em alguns casos pode ser justificada e noutros ser um, manifesto, abuso de poder. A própria Lei no seu artigo 8º nº 2, refere que “as medidas devem ser adequadas e proporcionais à necessidade”, tem sido e será assim?

Esclareçamos: - Se um sismo destruir parte do território faz todo o sentido a declaração de estado de calamidade para a zona afectada. Já me parece excessiva a declaração de estado de alerta, por sete dias – até ao dia 15 de Julho - ontem decretada pelo ministro da administração interna, para todo o País, por causa da previsão de uma vaga de calor, de cerca de 40 graus, de cinco dias, no máximo.

Não nos podemos esquecer que este estado condiciona liberdades individuais, porque qualquer percepção de desobediência dá direito a crime, e colectivas, nomeadamente, aos meios de comunicação social, principalmente, rádios, televisões e Redes de Comunicação. Não sabiam? Pois é verdade. Já viram a dimensão da medida? Já se aperceberam dos pezinhos de lã que se podem transformar em botas cardadas?

Gosto de regras bem definidas. Gosto de conhecer os meus direitos e os meus deveres de cidadão. Gosto de cumprir os deveres e usufruir dos direitos, sem restrições. Causa-me urticária qualquer abuso de poder.

Cabe-nos a nós, todos sem excepção, denunciar todos os abusos de que tivermos conhecimento para continuarmos a construir, dia-a-dia, a Democracia em que queremos viver.

9/07/2022

Zé Rainho

Wednesday, July 06, 2022

NEVOEIRO!

 

NEVOEIRO!

O nevoeiro é um perigo para a navegação. Esconde perigos vários. Oculta a presença de obstáculos. Por isso, quando há nevoeiro torna-se necessária maior atenção, mais discernimento, maior prudência.

Quando o nevoeiro é muito intenso a nossa visão não alcança a distância que nos separa do abismo.

Vivemos um momento desses no nosso país. O abismo está aí à nossa frente e não o conseguimos ver, porque há forças poderosas que lançam compacto nevoeiro aos nossos olhos, para que não vislumbremos o desastre.

O caos no serviço nacional de saúde é indesmentível. Quem necessita de recorrer a um qualquer serviço sabe, à partida que, no mínimo, tem de esperar. Esperar horas, meses, ou anos, dependo da necessidade de cada um.

Não vale a pena vir dizer-se que a culpa é dos médicos, dos enfermeiros, do pessoal auxiliar porque, sabendo-se que em todas as profissões há maus profissionais e aqui não é excepção, há muita gente a fazer das tripas coração para que os Serviços funcionem. Mas também não vale dizer-se que a culpa não é de ninguém porque, afinal, somos um país pobre. Há culpa e há culpados e esta e estes estão sentados na cúpula da organização.

Quando um qualquer profissional se sente menorizado nas suas funções, desprotegido pela sua hierarquia, desmotivado pelas más condições de trabalho, de remunerações inadequadas, sem perspectivas de futuro, uma de duas acontece: ou sai, vai embora, procurar lugar onde reconheçam o seu mérito e empenho profissional ou, encosta-se à sombra da bananeira, deixando passar o tempo porque, assim como assim, tanto ganham os cumpridores como os relapsos.

Se na Saúde é assim há muitas semelhanças nos demais sectores da nossa vida colectiva. A Educação, a Justiça, a Segurança, o Serviço Aeroportuário, a Economia, a Agricultura, entre muitos outros. Se isto é verdade e a mim parece-me que é, porque é o povo, que sofre na pele, todas as agruras resultantes desta inoperacionalidade, não se manifesta, não diz nada?

Certamente haverá muitas respostas para a pergunta anterior, tantas quantas as opiniões individuais, mas a minha é a de que o nevoeiro, propositadamente, lançado aos olhos do povo, não o deixam ver o caminho alternativo e a prudência atribuída ao Velho do Restelo, característica do nosso povo, manda-o estar quieto. Não arrisca. Não tem a fibra dos Navegadores de outrora.

A semana passada houve uma crise governamental gravíssima, parece ninguém ter dúvidas disso, pois os factos demonstram-na à saciedade, mas fica tudo na mesma porque é melhor não fazer ondas.

O Presidente da República sofre uma humilhação de um chefe de estado estrangeiro que, no mínimo, é um bacoco e o Governo fica-se. Os Serviços diplomáticos não acautelam todos os percalços para que o País não saia menorizado e todos assobiam para o ar.

A Comunicação Social cala-se. Terá as suas razões. Não lhe deram dinheiro por causa da pandemia? Não tiveram e têm comentadores amestrados? Não têm jornalistas que não podem ser independentes, porque se o forem, correm o risco de não ganhar o pão nosso de cada dia? E os lugares de assessoria, de comissões várias, não contam?

O Nevoeiro é muito perigoso é preciso sete olhos para o desvendar, mas não podemos ficar quietos no nosso canto, quando vemos que o abismo está à nossa frente e já vemos toda a gente com o pé no ar para avançar. É preciso dizer: parem! Vejam por onde vão e para onde caminham. É o que tento fazer.

6/07/2022

Zé Rainho

Wednesday, June 22, 2022

PENSAMENTO!

 

Pensamento!

 

Em minha opinião, os velhos deviam eximir-se de pensar, porque lhes faz mal, irrita-os.

Porque são velhos, já viram muita coisa e os factos vividos e ou presenciados, fazem deles seres um tanto objectivos que colidem, facilmente, com a narrativa em moda e do pensamento veiculado pela opinião publicada e isso torna-os taciturnos, cépticos e desapontados.

A História, particularmente a História moderna, é a narrativa de factos, sem julgamentos, nem opiniões, sem coloridos diferenciados, consoante os auto-intitulados historiadores da nossa praça.

A História há muito que passou a ser uma ciência, que se baseia em evidências científicas irrefutáveis e não se coadunam com opiniões, por mais abalizadas que elas sejam, nem se compadece com voluntarismos, mais ou menos insensatos, de investigadores proletários que, por força da sua precariedade laboral, se vêem forçados a alinhar no modismo vigente de quem paga os seus serviços.

Se atentarmos no nosso país, fácil será intuir que, em pleno século XX era constituído por um povo, maioritariamente, ruralizado, analfabeto, numa enormíssima dimensão. Que tomou uma posição neutral na segunda guerra mundial e por isso não beneficiou do Plano Marshall, continuando pobre e subdesenvolvido. Que tinha uma polícia política, que era um estado dentro do Estado, que não podia ter umas forças armadas capazes, da mesma maneira que não tinha uma indústria, um comércio e uma agricultura capaz.

O País foi sempre pobre e sem possibilidades de proporcionar ao seu povo as necessidades básicas preconizadas por Maxwell.  Houve, porém, nesse período temporal, um facto importante. A escola passou a ser obrigatória em meados do século e as escolas Normais foram reactivadas para formar docentes mais capacitados.

Vem tudo isto a propósito do Golpe de Estado do 25 de Abril de 1974.

Vejamos: -

No século XV foram os descobrimentos que ajudaram na subsistência da população. Seguiu-se o povoamento de territórios descobertos o que aliviava a pressão no recanto europeu, à beira-mar plantado. Depois uma emigração diversificada, ainda que de reduzida dimensão, para o Brasil e América Latina.

As colónias, nomeadamente Angola, servia para receber os condenados pela justiça que eram designados por degredados. Para os restantes que quisessem demandar aquele território necessitava de obter uma carta de chamada, assinada por um residente com capacidade financeira para assegurar a sobrevivência de quem chamava e, caso fosse necessário, proceder ao seu repatriamento, documento reconhecido notarialmente. Daí a dificuldade da emigração para as colónias ultramarinas, mais tarde designadas por Províncias Ultramarinas.

No final da década de cinquenta e princípio da década de sessenta iniciou-se uma emigração clandestina, mas em massa, para a França, seguindo-se, mais tarde, outros destinos, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, entre outros. Também Angola recebeu alguns emigrantes autorizados pelo Governo e dirigidos a colonatos implantados pelo Estado e, a seu reboque, mais alguns que tinham conhecimento com alguém já instalado no território. Porém, o rácio português indígena era bastante baixo para um território tão extenso.

Os europeus, na sua maior parte, tinham colónias em África e, nalguns casos, a exploração do indígena era, deveras chocante, com apartheid, com discriminação, com abusos de poder. Não era o caso de Angola, salvaguardando sempre a possibilidade da existência de alguns casos como os referidos, mas sem a dimensão e a crueldade de outros territórios. Por exemplo, o Congo Belga funcionava como uma coutada do Príncipe Leopoldo II da Bélgica.

A evolução natural é a autodeterminação dos povos. Quanto mais atropelos há em relação aos direitos humanos, mais se acende a fogueira da insatisfação e o incêndio no seio da sociedade pela independência é uma realidade num curto espaço de tempo.

Assim, em 1960 a Bélgica viu-se obrigada a dar a Independência ao Congo Belga, no meio de refregas e terror junto da etnia branca. A França faz o mesmo com a Argélia.

Estes factos aliados ao, cada vez maior número de jovens angolanos e portugueses, mais politizados que viviam em Angola fez despertar uma consciência que começou a tomar corpo. Entre essa juventude até se dizia jocosamente: “Angola é uma vaca que tem as tetas na Metrópole e os cornos cá. É preciso alterarmos a situação trazendo as tetas para cá e deixando os cornos lá”. Consequentemente organizaram-se Movimentos pró-independência fora do território que, desde logo tiveram apoio das diferentes potências mundiais e o combate aceso das Nações Unidas a Portugal por se recusar a dar a dita independência.

Para abreviar, vamos a mais uns factos. Em 4 de Fevereiro de 1961 um grupo mal-organizado, mas apoiado por alguma cúpula da Igreja Católica e de outras religiões, decidiu atacar a Casa da Reclusão de Luanda e a sétima Esquadra da Polícia de Segurança Pública, na tentativa de obrigar o regime político português a ceder aos interesses dos independentistas e, principalmente, das potências estrangeiras interessadas nas fontes de riqueza existente no território. Houve algumas mortes e alguma barbárie pondo em confronto raças até aí conviventes em alguma harmonia.

Seguiu-se a revolta dos trabalhadores da Baixa do Cassanje onde a barbárie foi mais acentuada, com várias mortes e laivos selváticos praticados pelos dois lados da barricada.

Nessa época Angola tinha, apenas, um simulacro de Forças Armadas e um corpo policial reduzido, sendo que a ordem pública era assegurada por Administradores Distritais e Chefes de Posto Concelhios, com o seu quadro diminuto de sipaios.

A Metrópole não estava muito melhor em termos de Forças Armadas já que não tendo entrado na Guerra e fazendo parte da NATO apenas precisava de algumas forças que não deixassem o país mal na fotografia.

Quando aconteceu o fenómeno apelidado de terrorismo em Angola, que. pouco mais tarde alastrou aos restantes territórios, Salazar teve a tirada junto da Brigada do Reumático (Generais velhos de mente e de corpo) “para Angola, rapidamente e em força”. De facto, foram enviadas alguns, poucos, militares de avião, no início da rebelião e pouco a pouco maiores contingentes de navio, a partir de Maio de 1961. Em qualquer dos casos tratou-se de tropas mal preparadas e muito mal apetrechadas de armamento. A maior parte do armamento era constituído por espingardas Mauser e pistolas Walter. O Comando era, maioritariamente, das patentes menores, Alferes e Furriéis, milicianos, que interromperam os seus estudos em níveis mínimos, respectivamente com o 7º ano do Liceu ou cursos superiores interrompidos, 2º ou 5º anos liceais e as praças com a 4ª classe. Os capitães comandavam companhias que, em geral, estavam ou ficavam aquarteladas em aglomerados populacionais e não entravam em combate.

O, dito, terrorismo, nunca teve grande expressão nas cidades capitais de Distrito e, a partir de 1963 foi reduzido a bolsas pouco significativas em todo o território porque, entretanto, o efectivo militar tinha sido substancialmente aumentado e o armamento muito melhorado, para além dum número significativo de tropas especiais, comandos, paraquedistas, fuzileiros e os reforços dos três ramos das Forças Armadas, exército, armada e força aérea.

Por outro lado, a economia de todo o território teve um desenvolvimento exponencial que mitigava algumas injustiças e trazia mais bem-estar a toda a população, independentemente da raça ou cor da pele.

A guerra colonial, para além de alastrar territorialmente, alastrou no tempo de duração e também foi fazendo estragos na motivação da juventude que via a sua vida condicionada, na maior parte das vezes, por mais de três anos de vida militar obrigatória.

Independentemente da consciencialização política o mal-estar foi fazendo o seu percurso ao longo dos anos, o descontentamento populacional português e angolano foi terreno fértil para a actividade subversiva, que era desenvolvida interna e externamente. No exterior era ainda fomentada pelas grandes potências internacionais e apoiada pelos povos vizinhos dos territórios sob administração portuguesa.

Outro facto foi o afastamento, por doença, incapacitante, de Salazar do lugar de 1º Ministro, sendo substituído no cargo pelo Professor Marcelo Caetano que, sabe-se hoje, nunca conseguiu impor uma política pessoal e foi sendo arrastado para um pântano onde a PIDE, por um lado e as altas patentes das Forças Armadas por outro, o enredaram, frustrando uma expectativa muito promissora que apareceu em 1968.

Ainda outro facto foi o envolvimento de cerca de um milhão de militares em todo o teatro de guerra que estava completa e totalmente ganha, em todos os territórios, com alguma dúvida na Guiné, mas que necessitava de uma cadeia de comando de mais elevada patente, nomeadamente a nível de capitão, e na impossibilidade de uma formação adequada, por Despacho Ministerial foi decidido que os tenentes milicianos poderiam aceder ao posto de capitão, desde que frequentassem um curso intensivo de um ano. Comparando com os cinco de Academia Militar que os Capitães do Quadro tinham que fazer e mais, pelo menos sete anos para chegar ao posto de capitão concluía-se que havia aqui alguma, muita, dose de injustiça.

A guerra que iniciou com milicianos passou também a ser feita por militares dos Quadros logo, uma maior rotatividade e, devido à falta de recursos humanos os capitães foram obrigados a maior número de mobilizações para comissões, com poucos anos, ou mesmo meses, de intervalo, o que gerou muito descontentamento.

A sucessão de factos elencados conduziu ao golpe de Estado corporativo levado a cabo pelos capitães no dia 25 de Abril de 1974.  A adesão popular a este evento transformou o golpe em revolução que, de facto não o foi, por várias razões.

As pessoas estavam sedentas de liberdade o que era deveras compreensível, dado o silenciamento de mais de quatro décadas. Mas, logo a seguir, surgiram os donos da liberdade e do próprio golpe de estado. Na circunstância, tentaram apropriar-se da hipotética revolução o Partido Comunista Português e toda a extrema-esquerda radical existente no país, ainda que rotulada, pelo antigo regime, de comunistas.

Os militares do Conselho da Revolução, mais uns tantos radicais existentes nos quartéis, muito ligados ao PCP, tentaram definir quem eram os portugueses com direito à liberdade e quem eram os que deviam ser presos sem culpa formada e sem qualquer tipo de julgamento.

Álvaro Cunhal, ministro sem pasta, para poder ter as pastas todas, mandou instrumentalizar os trabalhadores, operários, trabalhadores rurais e dos serviços, para que o poder caísse na rua e assim poder avançar para uma nova ditadura, desta vez, comunista de ideologia soviética, com intervenção directa, ainda que sub-reptícia da Rússia que então, ainda era a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Valeram os militares moderados, povo moderado do Norte e do Centro do País e Mário Soares, que frustraram tal ambição.

O 25 de Novembro foi o golpe de misericórdia nas pretensões do PCP que, com a conivência de Otelo Saraiva de Carvalho passou para a luta armada com as, tristemente célebres FP 25, que causou morte e dor muito superior à que foi causada pelo Golpe Militar de 25 de Abril.

Hoje, passados 48 anos, vemos uns rapazinhos e umas rapariguinhas, que não têm noção, nem conhecimento e muito menos experiência, querer ditar quem são os donos do 25 de Abril. Tudo gente captada no alfobre socialista que é o ISCTE.

Não deixaremos que tal aconteça e, nestes quatro anos que agora se iniciam, de comemorações do cinquentenário do 25 de Abril, não deixaremos de levantar a nossa voz contra estes projectos de ditadores e dizer com toda a pujança que o 25 de Abril não tem donos específicos. O 25 de Abril é de todos nós, os portugueses.

21/04/2022

Zé Rainho

 

Saturday, June 11, 2022

O EMBUSTE!

 

O EMBUSTE!

Em contacto com pessoas muito respeitáveis, pelos valores éticos e morais que defendem e praticam, vim a saber de viva-voz, que o descontentamento dos trabalhadores da saúde, que prestam serviço no SNS, é total e cada vez mais gritante.

É a falta de condições de trabalho. É a falta de recursos humanos e materiais. É a falta de perspectivas de vida e de carreira. É a miserável remuneração do pessoal mais qualificado, médicos, enfermeiros, técnicos superiores.

A situação é tão grave que um médico a caminho da exaustão total, por exemplo, se vê na necessidade de pedir desculpa aos doentes, pelas horas de espera que se viram obrigados a ter, porque o médico, especialista, é o único da sua especialidade e tem de dar resposta a cirurgias, internamentos, consultas externas de diagnóstico e de manutenção. Para cúmulo esse médico tem uma remuneração de 2.300€, por mês, com um horário de 40 horas semanais.

Alguns virão já dizer que, em contrapartida, há outros médicos que não fazem nada no SNS, para depois poderem ganhar muito dinheiro na medicina privada, particular ou em Clínicas ou Hospitais privados, onde aí dão o litro para cumprir objectivos. Até podem ter razão, mas, enquanto houver situações como as que acima referi o que é que querem? Então a motivação não é meio caminho para a eficiência? Então a remuneração não faz parte dessa motivação? Então o descanso não é fundamental para repor energias para um desempenho mais eficaz?

Se as respostas às perguntas for sim, e parece-me que ninguém de boa-fé possa dar outra, o que é que fazem os dirigentes a montante das organizações? O que é que tem a dizer o primeiro-ministro, a ministra da saúde, a Ordem dos médicos?

Não será altura de rever os critérios de acesso ao curso de medicina onde, paralelamente, ou complementarmente às notas do ensino secundário estejam testes vocacionais, valores éticos e morais, disponibilidade total e sensibilidade fraternal para com quem sofre? Não será altura de acabar com limitações à entrada nos cursos de medicina e esperar que a concorrência faça a selecção natural de quem é competente e esforçado por oposição ao baldas?

Não será tempo de rever o estatuto remuneratório deste pessoal, indispensável ao bem-estar da população e da qualidade de vida até ao términus inevitável?

Francamente estou cada vez mais farto de ouvir demagogos, populistas, a prometer-nos o céu e dar-nos o inferno. Já não posso ouvir os coveiros do SNS, com suas propostas inexequíveis, armados nos seus mais acérrimos defensores e, aqui incluo o Governo e o partido que o suporta, o Bloco de Esquerda, o PCP, o Livre, o PAN e depois não se olha para o caos que está instalado há anos e que só sobrevive à custa do esforço denodado dos seus trabalhadores.

Ninguém vê que não é admissível que Hospitais não possam aceitar doentes urgentes por doença ou acidente e fechem urgências de diferentes especialidades? Como é que um doente com um AVC ou um ataque cardíaco não pode ser atendido na Urgência de Leiria e tenha de ir para Coimbra, ou do Seixal tenha de ir para Lisboa porque o Garcia de Orta não tem médicos especialistas nas urgências?

E se desviamos o olhar para a periferia o problema é muito mais grave e muito mais agudo. O que acontece no Hospital da Guarda que, tantas vezes, tem de mandar doentes, que já se deslocaram de Almeida ou Pinhel, para o Hospital de Viseu. Se descermos no mapa do país podemos ir até ao Algarve e assistirmos a deslocação de doentes para Lisboa, porque Faro e Portimão não têm resposta para casos de gravidade extrema.

E perante este verdadeiro cenário de terror a ministra da saúde não bate com a porta quando o ministro das finanças não lhe dá os recursos mínimos para que estas situações não acontecessem?

E o primeiro-ministro não tem vergonha de vir papaguear para as câmaras de televisão com atoardas de aumentos de 20% nos salários nos próximos quatro anos e na semana de trabalho de quatro dias?

Francamente, um país assim, não passa de uma caricatura se comparado com países, verdadeiramente, evoluídos.

Na véspera do Dia de Portugal gostaria de escrever algo de mais positivo, de mais motivador, mas a realidade sobrepõe-se aos desejos.

9/06/2022

Zé Rainho

 

 

 

Sunday, June 05, 2022

OS CLÁSSICOS!

 

OS CLÁSSICOS!

Faz bem à alma, de vez em quando, revisitar os clássicos. Aprende-se sempre alguma coisa. Recordam-se outras tantas que, porventura, já estavam na prateleira do esquecimento.

Ainda não há muito tempo que reli um grande romance do Alexandre Dumas (pai), o Conde de Monte Cristo, um dos clássicos, publicado em meados do século XIX, que li, pela primeira vez, há mais de sessenta anos.

Há dias comecei a reler os Sermões do Padre António Vieira, publicado no início da segunda metade do século XVII, que também já li há umas boas décadas.

Não é saudosismo é aprendizagem. Tenho consciência que alguns dos meus amigos, que me lêem, cogitarão que estou velho e é essa a razão de eu recuar a um passado tão longínquo. Não os contrario, porque tenho plena consciência de que estou cada vez mais velho, mas também não lhes dou razão, quanto à necessidade de revisitar o passado, pois sou dos que aprendi, ao longo dos anos, que é no passado que se alicerça o presente e se projecta o futuro.

Mas voltemos ao assunto deste arrazoado. Senti-me bem ao relembrar que o Padre António Vieira dizia: “um homem para se ver a si mesmo é preciso três coisas: olhos, espelho e luz”. Como o eminente pregador tinha e continua, nos dias de hoje, a ter total razão. O indivíduo tem de ter olhos de ver e não só de olhar. Tem de ter o espelho do outro, para entender as semelhanças e as diferenças e tem que ter iluminação suficiente, para que as sombras não distorçam a imagem.

Mas ensina muito mais. Ensina que se deve comunicar bem. De forma eficaz, com clareza, com verdade, com autoridade de quem é exemplo na palavra e na acção, porque se não for assim a palavra é descabida e mais valia não ter sido pronunciada.

Como é que se pode entender a retórica balofa de quem não é exemplo? Quem não tem vida? Quem não tem ciência, conhecimento? Quem não tem acções? Quem não fez obra? Não se entende e, muito menos, se pode aceitar.

Por isso é bom ir aos clássicos, mas também ir aos contemporâneos. Aos bons jornalistas. Aos bons escritores. Aos bons políticos. Aos bons cientistas. Aos bons professores. Aos bons mestres em diferentes áreas. É que assim, se limpam teias de aranha que enredam e condicionam a mente. Assim se eliminam, ou pelo menos reduzem, os preconceitos, as ideias feitas, as verdades absolutas. Assim se deixa de dar importância a discursos redondos sem conteúdo, que se ouvem no dia-a-dia, nos órgãos de comunicação social ou se lêem nas redes sociais e, talvez, nos obrigue a pensar em opções tomadas, levianamente. Em decisões inconscientes. Em opções que comprometem, ou podem comprometer, o futuro próprio e do nosso semelhante.

Talvez estes considerandos levassem os povos a valorizar, muito mais, a arma democrática que é o voto. A utilizá-la, não com a carteira individual, mas com o pensamento altruísta, do melhor para todos. Com a vontade de legar um amanhã melhor. Mais fraterno. Mais justo. Mais equitativo.

Não quero dar lições, quero apenas, contar-vos como me faz bem à alma, esta revisita aos clássicos. Como me faz bem comunicar convosco. Como me faz bem desabafar em amena cavaqueira, virtual, com todos os meus amigos.

Fico-vos muito grato pelo tempo que dispensaram a ler estes estados de alma.

4/06/2022

Zé Rainho

Saturday, May 28, 2022

QUEIMA DAS FITAS 2022

 

QUEIMA DAS FITAS DE COIMBRA!

 

Coimbra e seus trovadores

Despede-se dos seus doutores

Na festa da Queima das Fitas

Com estudantes e futricas,

Em entusiástica euforia,

Cantando ao som da guitarra

A trova vivida com garra

Duma vida nova, exigente,

Mais do que a sebenta do Lente.

Esvoaçam a capa e a batina

Agitam-se fitas e cartolas

Cruzam-se bengalas coloridas

Ao som do efe é re á

Para satisfação do papá

Que vê o sonho alcançado

Depois do sacrifício magoado.

A vida num de repente

Tal como é a mocidade

Só a velha Universidade

Continua igual e presente.

Fica a saudade da noitada

Passada junto ao Mondego

No Choupal posto em sossego

Cantando aos etéreos amores

O canto que só os doutores

Sabem tão bem imortalizar

Em estrofes dolentes cantar

À beleza ímpar das tricanas

Garridas sensuais bacanas

Que na hora da despedida

Deixa Coimbra perdida

Num silêncio sepulcral

Na solidão da Lapa e do Choupal.

Querer ser toda a vida estudante,

Queimar as pestanas ser amante

É ambição desmedida

Duma juventude bem vivida.

Lembrar as tascas do quebra-costas

Serenatas na Sé Velha.

Nas escadas monumentais.

Nas Repúblicas principais

Duma Coimbra muito amada

Por quem nela fez estrada.

 

20/05/2022

 

Zé Rainho

 

 

 

TONTICES!

 

TONTICES!

Os tontos, os diminuídos mentais, mereceram, ao longo dos tempos e continuam a merecer, a comiseração dos outros porque não têm culpa de terem sido contemplados com algumas limitações.

Os idiotas, com manias de espertos, sempre colheram o desprezo, e continuarão a colher o ostracismo, ou até mesmo, o achincalhamento da sociedade, porque têm toda a responsabilidade de se comportarem da forma como se comportam.

Quando as duas características são incorporadas na mesma pessoa deixa de haver pena ou indulgência que valha para passar a ser estimulada a aversão.

Esta semana foi pródiga em tontices e idiotices por parte da nossa “elite” política. Desde logo a ideia peregrina da deputada do PAN de querer uns dias de férias menstruais para as mulheres trabalhadoras. Maior serviço prestado ao machismo e maior discriminação e prejuízo para a mulher não poderia ter sido alcançado com esta tirada abstrusa duma tonta que é simultaneamente uma idiota. Cada argumento é pior que o anterior. Lembram-se de no ano passado ela justificar as estufas de produção intensiva de frutos vermelhos, com recurso a químicos, do marido, ela vir com a ideia de que aquilo não eram estufas, mas eram túneis?

Mas centremo-nos agora na MULHER autêntica e não nas aberrações. A mulher tem tido ao longos dos tempos muita dificuldade em se impor no mundo em que os homens dominam. Atente-se nos lugares de topo de uma qualquer empresa e, facilmente, se constatará que a maioria esmagadora dos lugares são ocupados por homens, há poucas excepções que só confirmam a regra. Então esta discriminação não será mais um obstáculo para que muitíssimas mulheres mais competentes do que os homens alcancem esses patamares de liderança? Uma tontice e uma idiotice. Para culminar, num país com um milhão e trezentas mil pessoas sem médico de família, onde falta coisas básicas à maioria da população. Que têm um índice de pobreza assustador. Mesmo assim quer os que pagam impostos suportem hospitais gratuitos para os cãezinhos e os gatinhos. Para além da tontice, da burrice, da idiotice é mesmo o limite da esquizofrenia da tonta surreal, como lhe chama o MST.

Mas os grupelhos que têm tempo de antena não se cansam de arranjar umas ideias para que a comunicação social fale neles. O Livre, outro partido que, não fosse a concentração de votos de um grupelho urbano medíocre e nunca seria reconhecido, não quis ficar atrás do PAN e vai daí, vai de proibir o trânsito aos domingos e feriados num dos locais da cidade de Lisboa que tem os melhores hotéis, a maior quantidade de teatros para não falar do comércio rentável. O mesmo é dizer que se um Inglês, ou qualquer outro estrangeiro que tenha ideia de gastar uns cobres em Lisboa e aterre no aeroporto da Portela terá de calcorrear de mala às costas a Avenida da Liberdade, que tem uns quilómetros de comprimento. Só ideias de jerico. Pior que tontices autênticas burrices.

Podíamos continuar com o candidato a Juiz do Tribunal Constitucional que entende que se deve punir a liberdade de imprensa, mais uma sandice. Podíamos falar nas tiradas do ministro das finanças ou no Brilhante (poucos dias) no encerramento do debate sobre o Orçamento de Estado, mas fiquemos por aqui.

28/05/2022

Zé Rainho