DISTRACÇÃO!
Parece que anda toda a gente muito distraída neste país.
Parece que ninguém dá conta do sistemático e recorrente atropelo às Liberdades,
individuais e colectivas, tão caras à Constituição da República Portuguesa e
aos democratas que ainda existem, embora cada vez menos.
Tudo começou com a declaração do Estado de Emergência quando
do aparecimento da Pandemia em 2020. Este Estado de Emergência foi
sucessivamente renovado de quinze em quinze dias, limite temporal, legal. O
Presidente da República deu o mote e o Governo espraia-se em dissertação sobre
o mesmo assunto. Por tudo e por nada aí vai mais um Estado de Excepção, porque
isso lhe permite todo o abuso que entender.
Lembrem-se da arrogância de governantes que culpam as pessoas.
São irresponsáveis. Não se sabem comportar. Porque não usam máscara. Não
cumprem a distância social. Ninguém se lembra de que no início da pandemia uma
das mais altas responsáveis pela saúde em Portugal dizer: “a máscara não deve
ser usada porque dá uma falsa sensação de segurança”.
Lembrem-se de que, não fora um distinto militar e o seu pragmatismo,
se houve muitas mortes por Covid-19, muitas mais haveria porque as primeiras
vacinas só eram destinadas aos amigalhaços partidários.
Lembrem-se de que nenhum de nós pôde sair de casa enquanto se
faziam manifestações políticas e ajuntamentos de pessoas partidariamente
comprometidas, como é o caso da CGTP.
Lembrem-se da venda do Novo Banco e dos respectivos responsáveis
que continuam alegremente em posições chave da Nação depois de nos terem
obrigado a pagar quase de quatro mil milhões de euros e ainda não nos saiu do
pescoço a espada de mais de mil milhões no futuro.
Lembrem-se de que nos obrigam a pagar uma TAP, arruinada e
ruinosa, que não serve os interesses nacionais, mas serve muito os interesses
partidários.
Lembrem-se dos comboios adquiridos à Espanha, que era uma
pechincha, e depois se soube, muito sigilosamente, que afinal não podiam
circular devido à quantidade de amianto contido no seu interior.
Lembrem-se da trapalhada do aeroporto que agora é e depois
deixa de ser, apesar da publicação em Diário da República, e não acontece nada.
Lembrem-se das urgências encerradas e das imensas horas que
as pessoas esperam por consultas nos hospitais e a responsável pelo caos diz
que está a trabalhar.
Este Governo mesmo em minoria, sempre com a desculpa da
opinião dos técnicos, fez questão de, durante quase dois anos, nos ir limitando
as nossas liberdades com Estados disto, daquilo e daqueloutro.
Com maioria absoluta caiu rapidamente no poder absoluto. Não
dá cavaco a ninguém, faz o que muito bem lhe apetece, com o descaramento de
dizer sempre que está disposto a dialogar.
Estamos num tempo quente, todos o sentimos e constatamos, mas
será que é uma coisa nunca vista ou sentida? Tenho as maiores dúvidas.
Há anos que temos vindo a sentir os rigores da seca, anos
muito chuvosos, anos muito quentes e outros excepcionalmente frios. Lembram-se
de 2017, incêndios no Pedrógão? Não era este Partido que estava no Governo? Não
era o PM o mesmo?
Perante estas condições climáticas justifica-se a declaração
de Estados de Contingência? A mim parece-me que não. Parece-me que não, pela
simples razão de que isso abre a porta para, por tudo e por nada, por coisas
graves e coisas de Lana caprina, um qualquer ministro se arrogar o direito de
decretar um qualquer Estado de … para poder, livremente e sem escrutínio, fazer
todas as arbitrariedades que entender, incluindo o desperdício de dinheiros
públicos.
Há, e sempre haverá, situações que fogem à normalidade. Não é
para isso que são necessários os Governos? Não é para obviar às consequências
da anormalidade que se gasta uma pipa de massa com governantes, assessores,
agências, disto, daquilo e daqueloutro? Se tudo fosse uma rotina não havia necessidade
de haver governo, nem necessidade de Instituições.
Os bombeiros queixam-se e bem, que são eles que dão o corpo
ao manifesto mas que no fim quem manda são os dos gabinetes.
O Tribunal Constitucional, quanto a mim um pouco tarde, mas
mais vale tarde do que nunca, vem, num acórdão sobre os confinamentos, dizer que
o governo não tem competência para coarctar a liberdade individual, nem mesmo o
parlamento.
Perante o que estamos a assistir ninguém diz nada? E a
Comunicação Social qual é o seu papel? Será que a censura deixou de se fazer
com lápis azul e passou a fazer-se por telefone ou conversa de pé de orelha?
Temos de estar atentos e não andar distraídos.
13/07/2022
Zé Rainho
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