Thursday, July 14, 2022

DISTRACÇÂO!

 

DISTRACÇÃO!

Parece que anda toda a gente muito distraída neste país. Parece que ninguém dá conta do sistemático e recorrente atropelo às Liberdades, individuais e colectivas, tão caras à Constituição da República Portuguesa e aos democratas que ainda existem, embora cada vez menos.

Tudo começou com a declaração do Estado de Emergência quando do aparecimento da Pandemia em 2020. Este Estado de Emergência foi sucessivamente renovado de quinze em quinze dias, limite temporal, legal. O Presidente da República deu o mote e o Governo espraia-se em dissertação sobre o mesmo assunto. Por tudo e por nada aí vai mais um Estado de Excepção, porque isso lhe permite todo o abuso que entender.

Lembrem-se da arrogância de governantes que culpam as pessoas. São irresponsáveis. Não se sabem comportar. Porque não usam máscara. Não cumprem a distância social. Ninguém se lembra de que no início da pandemia uma das mais altas responsáveis pela saúde em Portugal dizer: “a máscara não deve ser usada porque dá uma falsa sensação de segurança”.

Lembrem-se de que, não fora um distinto militar e o seu pragmatismo, se houve muitas mortes por Covid-19, muitas mais haveria porque as primeiras vacinas só eram destinadas aos amigalhaços partidários.

Lembrem-se de que nenhum de nós pôde sair de casa enquanto se faziam manifestações políticas e ajuntamentos de pessoas partidariamente comprometidas, como é o caso da CGTP.

Lembrem-se da venda do Novo Banco e dos respectivos responsáveis que continuam alegremente em posições chave da Nação depois de nos terem obrigado a pagar quase de quatro mil milhões de euros e ainda não nos saiu do pescoço a espada de mais de mil milhões no futuro.

Lembrem-se de que nos obrigam a pagar uma TAP, arruinada e ruinosa, que não serve os interesses nacionais, mas serve muito os interesses partidários.

Lembrem-se dos comboios adquiridos à Espanha, que era uma pechincha, e depois se soube, muito sigilosamente, que afinal não podiam circular devido à quantidade de amianto contido no seu interior.

Lembrem-se da trapalhada do aeroporto que agora é e depois deixa de ser, apesar da publicação em Diário da República, e não acontece nada.

Lembrem-se das urgências encerradas e das imensas horas que as pessoas esperam por consultas nos hospitais e a responsável pelo caos diz que está a trabalhar.

Este Governo mesmo em minoria, sempre com a desculpa da opinião dos técnicos, fez questão de, durante quase dois anos, nos ir limitando as nossas liberdades com Estados disto, daquilo e daqueloutro.

Com maioria absoluta caiu rapidamente no poder absoluto. Não dá cavaco a ninguém, faz o que muito bem lhe apetece, com o descaramento de dizer sempre que está disposto a dialogar.

Estamos num tempo quente, todos o sentimos e constatamos, mas será que é uma coisa nunca vista ou sentida? Tenho as maiores dúvidas.

Há anos que temos vindo a sentir os rigores da seca, anos muito chuvosos, anos muito quentes e outros excepcionalmente frios. Lembram-se de 2017, incêndios no Pedrógão? Não era este Partido que estava no Governo? Não era o PM o mesmo?

Perante estas condições climáticas justifica-se a declaração de Estados de Contingência? A mim parece-me que não. Parece-me que não, pela simples razão de que isso abre a porta para, por tudo e por nada, por coisas graves e coisas de Lana caprina, um qualquer ministro se arrogar o direito de decretar um qualquer Estado de … para poder, livremente e sem escrutínio, fazer todas as arbitrariedades que entender, incluindo o desperdício de dinheiros públicos.

Há, e sempre haverá, situações que fogem à normalidade. Não é para isso que são necessários os Governos? Não é para obviar às consequências da anormalidade que se gasta uma pipa de massa com governantes, assessores, agências, disto, daquilo e daqueloutro?  Se tudo fosse uma rotina não havia necessidade de haver governo, nem necessidade de Instituições.

Os bombeiros queixam-se e bem, que são eles que dão o corpo ao manifesto mas que no fim quem manda são os dos gabinetes.

O Tribunal Constitucional, quanto a mim um pouco tarde, mas mais vale tarde do que nunca, vem, num acórdão sobre os confinamentos, dizer que o governo não tem competência para coarctar a liberdade individual, nem mesmo o parlamento.

Perante o que estamos a assistir ninguém diz nada? E a Comunicação Social qual é o seu papel? Será que a censura deixou de se fazer com lápis azul e passou a fazer-se por telefone ou conversa de pé de orelha?

Temos de estar atentos e não andar distraídos.

13/07/2022

Zé Rainho

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