PANTOMINEIRO!
Nos tempos idos da minha meninice saltitavam de feira em feira os farsantes da banha da cobra e similares que, com manobras de ilusionismo e apelo aos instintos mais básicos do ser humano ofereciam algo que depois se pagava por altos preços e assim, lá iam enganando os mais incautos, os mais ingénuos.
As feiras eram espaços locais e temporais propícios ao ajuntamento de pessoas. Ali se comprava e vendia de tudo, se faziam trocas e negócios. Se convivia também em época de muito trabalho e de muito mourejar. Eram, por isso mesmo, locais propícios ao aparecimento de pantomineiros de toda a ordem.
Como muitas outras coisas a evolução - nalguns casos foi involução - fez com que tivessem desaparecido as feiras e esse desaparecimento levou consigo os pantomineiros. Se enganavam as pessoas boas e crédulas, ainda bem que desapareceram, dirão os meus leitores mais caridosos e têm toda razão. Não fazem falta nenhuma os trapaceiros, os aldrabões, os vigaristas, os aproveitadores das fraquezas alheias.
Só que não há bem que dure e mal que ature, como diziam os nossos maiores. Desapareceram os pequenos trapaceiros e irromperam, como vulcão aprisionado muitos anos, os grandes pantomineiros. Deixaram de existir os vigaristas dos tostões para aparecerem, em força, os farsantes dos milhões. E agora é vê-los na alta roda da sociedade, nas pantalhas televisivas, nos palcos mais mediáticos e, para cúmulo, mais agressivos, mais arrogantes, e muito mais sofisticados nas suas trapaças. Estes não enganam só os pacóvios, ludibriam, também, os idealistas que, na sua boa fé, os apoiam julgando estar a contribuir para uma sociedade mais justa e mais equilibrada.
Por isso nunca é demais alertar para o pantomineiro disfarçado de bom samaritano que é muito mais perigoso do que aqueles de outros tempos.
Cuidado com as promessas da terra da felicidade onde jorra leite e mel. Essa terra não existe e quem a anuncia só quer o vosso apoio momentâneo. Depois de conquistada a confiança esquece tudo o que prometeu.
Qualquer semelhança com a campanha eleitoral é mera coincidência.
22/01/2022
Zé Rainho
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