HOMENAGEM!
Nos dias que correm é quase uma
temeridade referirmo-nos ao ser humano distinguindo as suas espécies, homem e
mulher, nas suas características e especificidades, sem corrermos o risco de
nos apelidarem de homofóbicos e outros mimos similares. Há para aí uma corrente,
certamente minúscula, mas muito ampliada pelos meios de comunicação social, que
entende que todos devemos ser híbridos. Mas, mesmo correndo o risco, neste dia dedicado
à mulher – deveriam ser todos os dias do ano – tenho de prestar a minha homenagem
a todas as mulheres do mundo, particularmente, às mulheres da minha vida que
foram a minha avó – só conheci a paterna – a minha mãe, a minha sogra, as
minhas tias, a minha mulher, as minhas filhas, as minhas cunhadas, as minhas
primas e as minhas amigas.
Era bom que às crianças e jovens fossem
transmitidos conhecimentos básicos sobre as mulheres para assim, desde cedo, se
habituarem a respeitá-las e a amá-las para, de uma vez por todas, se erradicar o
fenómeno que hoje se designa por violência doméstica e que acaba, quase sempre
no assassinato da mulher. Uma seria demais. Três dezenas ou mais, por ano, é
uma calamidade, uma catástrofe.
É verdade que a história e a
própria religião, dois pilares fundamentais de qualquer sociedade, não primam
por exemplos condignos relativamente à mulher, mas, mesmo assim, é necessário
conhecer o contexto e as condições de vida das mulheres, ao longo dos séculos e
a sua importância na construção da sociedade em que vivemos.
Temos de lembrar o papel
determinante de Maria mãe de Jesus, Maria Madalena e outras mulheres que,
quando os discípulos fugiam, com medo, elas ficaram aos pés da cruz e depois
foram as primeiras a ir ao sepulcro para ungir o corpo de Cristo.
Não podemos esquecer a Rainha
Santa Isabel, D. Maria I, D. Filipa de Lencastre ou as contemporâneas, Maria de
Lurdes Pintassilgo a primeira Mulher que desempenhou o cargo de
Primeiro-ministro em Portugal, ou Beatriz Ângelo, a ginecologista, natural da
Guarda que, em 1911 obrigou, através dos tribunais, os políticos a aceitarem o
seu voto para a Constituinte, numa altura em que só os homens podiam votar,
para dar alguns exemplos, apenas de Portugal.
Mesmo na altura em que à mulher
estava, apenas, destinado o papel de boa esposa, boa mãe e melhor dona de casa
e, nas altas esferas, tocar piano e falar francês, a mulher portuguesa sempre
foi a heroína anónima, espelhada no ditado popular “atrás de um grande homem
está sempre uma grande mulher” que persiste até aos dias de hoje. E nós não
precisamos de pesquisar muito para descobrir essas heroínas. Basta olharmos
para a vida que foi e é a das nossas avós, das nossas mães, das nossas esposas
e até das nossas filhas. Quem, desde sempre, teve a gestão do lar e arcou com a
parte da gestão pesadíssima e invisível de uma qualquer casa de família, foi a
mulher. Essas mulheres que trabalharam e trabalham ao lado dos maridos no
campo, na fábrica ou nos serviços e que, depois de um horário de trabalho duro,
ainda têm que continuar, em casa, a preparar as refeições, a tratar das roupas,
a cuidar da casa e dos filhos.
Por tudo isto e por muito mais
que havia a dizer, mas que não cabe numa simples folha de papel, é preciso e eu
quero homenagear as mulheres neste dia 8 de Março de 2021, demonstrando o meu respeito
e consideração por todas aquelas que querem continuar a ser mulher, com
direitos e deveres iguais e que não precisam de vir para as ruas, de mamas
denudadas, para se afirmarem como pessoas, como mulheres, como profissionais,
demonstrando que são muito capazes e isso é visível nas próprias estatísticas.
A maioria dos licenciados deste país são mulheres. A maioria dos médicos, dos
professores, dos enfermeiros, profissões basilares da sociedade, são mulheres e
isto é que faz a diferença, não é a corrente mentecapta da maioria das
feministas que, com as suas reivindicações estapafúrdias, não ajudam ao respeito devido à relevância social
da mulher.
Eu amo todas as mulheres da minha
vida e quero para elas, nada mais que o respeito a consideração e o lugar social
igual ao do homem, nem mais, nem menos.
VIVA A MULHER!
8/03/2021
Zé Rainho
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