Monday, March 08, 2021

HOMENAGEM!

 

HOMENAGEM!

Nos dias que correm é quase uma temeridade referirmo-nos ao ser humano distinguindo as suas espécies, homem e mulher, nas suas características e especificidades, sem corrermos o risco de nos apelidarem de homofóbicos e outros mimos similares. Há para aí uma corrente, certamente minúscula, mas muito ampliada pelos meios de comunicação social, que entende que todos devemos ser híbridos. Mas, mesmo correndo o risco, neste dia dedicado à mulher – deveriam ser todos os dias do ano – tenho de prestar a minha homenagem a todas as mulheres do mundo, particularmente, às mulheres da minha vida que foram a minha avó – só conheci a paterna – a minha mãe, a minha sogra, as minhas tias, a minha mulher, as minhas filhas, as minhas cunhadas, as minhas primas e as minhas amigas.

Era bom que às crianças e jovens fossem transmitidos conhecimentos básicos sobre as mulheres para assim, desde cedo, se habituarem a respeitá-las e a amá-las para, de uma vez por todas, se erradicar o fenómeno que hoje se designa por violência doméstica e que acaba, quase sempre no assassinato da mulher. Uma seria demais. Três dezenas ou mais, por ano, é uma calamidade, uma catástrofe.

É verdade que a história e a própria religião, dois pilares fundamentais de qualquer sociedade, não primam por exemplos condignos relativamente à mulher, mas, mesmo assim, é necessário conhecer o contexto e as condições de vida das mulheres, ao longo dos séculos e a sua importância na construção da sociedade em que vivemos.

Temos de lembrar o papel determinante de Maria mãe de Jesus, Maria Madalena e outras mulheres que, quando os discípulos fugiam, com medo, elas ficaram aos pés da cruz e depois foram as primeiras a ir ao sepulcro para ungir o corpo de Cristo.

Não podemos esquecer a Rainha Santa Isabel, D. Maria I, D. Filipa de Lencastre ou as contemporâneas, Maria de Lurdes Pintassilgo a primeira Mulher que desempenhou o cargo de Primeiro-ministro em Portugal, ou Beatriz Ângelo, a ginecologista, natural da Guarda que, em 1911 obrigou, através dos tribunais, os políticos a aceitarem o seu voto para a Constituinte, numa altura em que só os homens podiam votar, para dar alguns exemplos, apenas de Portugal.

Mesmo na altura em que à mulher estava, apenas, destinado o papel de boa esposa, boa mãe e melhor dona de casa e, nas altas esferas, tocar piano e falar francês, a mulher portuguesa sempre foi a heroína anónima, espelhada no ditado popular “atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher” que persiste até aos dias de hoje. E nós não precisamos de pesquisar muito para descobrir essas heroínas. Basta olharmos para a vida que foi e é a das nossas avós, das nossas mães, das nossas esposas e até das nossas filhas. Quem, desde sempre, teve a gestão do lar e arcou com a parte da gestão pesadíssima e invisível de uma qualquer casa de família, foi a mulher. Essas mulheres que trabalharam e trabalham ao lado dos maridos no campo, na fábrica ou nos serviços e que, depois de um horário de trabalho duro, ainda têm que continuar, em casa, a preparar as refeições, a tratar das roupas, a cuidar da casa e dos filhos.

Por tudo isto e por muito mais que havia a dizer, mas que não cabe numa simples folha de papel, é preciso e eu quero homenagear as mulheres neste dia 8 de Março de 2021, demonstrando o meu respeito e consideração por todas aquelas que querem continuar a ser mulher, com direitos e deveres iguais e que não precisam de vir para as ruas, de mamas denudadas, para se afirmarem como pessoas, como mulheres, como profissionais, demonstrando que são muito capazes e isso é visível nas próprias estatísticas. A maioria dos licenciados deste país são mulheres. A maioria dos médicos, dos professores, dos enfermeiros, profissões basilares da sociedade, são mulheres e isto é que faz a diferença, não é a corrente mentecapta da maioria das feministas que, com as suas reivindicações estapafúrdias,  não ajudam ao respeito devido à relevância social da mulher.

Eu amo todas as mulheres da minha vida e quero para elas, nada mais que o respeito a consideração e o lugar social igual ao do homem, nem mais, nem menos.

VIVA A MULHER!

8/03/2021

Zé Rainho

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