28 (Des)Maio…
O reviralho – grupo de republicanos, socialistas e anarco-sindicalistas
– pouco representativo na vida nacional, para fugir aos inconvenientes de uma
interpretação linear do acontecimento – Golpe de Estado -, designava este dia,
desta maneira. Porém, o facto, não desmaiou, antes pelo contrário, cada dia que
passava mais se fortalecia e mais adesão popular obtinha.
Uma república, com pouco mais do que uma dezena e meia de anos
de vida, conseguiu a proeza do povo aderir, em massa, a um Golpe de Estado que
colocava os militares no Poder.
O caos, a anarquia, a impunidade, associados à miséria e à
fome foi o caldo perfeito para que o povo recorresse, em último recurso, aos
Militares, para sua salvação.
O resultado final não
foi famoso, mas, porventura, também não poderia ter sido outro.
Aproximamo-nos, a passos largos, para que se atinja o século
que este facto histórico aconteceu e, pelos vistos, não aprendemos nada.
Hoje vivemos uma asfixia democrática assustadora e ainda não
houve um sobressalto cívico. Temos um partido político tentacular, que tudo
controla e em tudo manda, que pratica as maiores barbaridades e se comporta de
forma a raiar a ditadura e não se ouvem vozes que clamem, que alertem, que despertem
o povo deste torpor paralisante.
Para que isto não pareça uma opinião pessoal e sectária vamos
aos factos:
1.
Iniciou-se
um processo de vacinação sob o comando de um boy da extrema-esquerda e, numa
altura de escassez de vacinas – como ainda existe, ainda que em menor escala –
estas eram administradas aos amigalhaços, aos da cor política, aos dos cargos político-partidários,
em prejuízo dos grupos de maior risco e prioritários. Saiu o boy, por manifesta
incompetência, compadrio e nepotismo, veio um militar e tudo corre sobre rodas.
Um êxito enaltecido por toda a gente;
2.
Terminou
um campeonato de futebol nacional e uma taça de Portugal sem público, sem
adeptos, sem reuniões permitidas pelos boys e girls da Saúde e do Governo,
apesar do índice de transmissibilidade e do número de casos de infecção serem
diminutos. Quase no mesmo espaço de tempo – uma semana depois – com os índices
piores do que na semana anterior, os mesmos boys e girls autorizam que venham,
milhares de holligans do Reino Unido, assistir a uma final de futebol, entre
dois clubes do seu país, nos quais não temos nenhum interesse, no nosso território
e num dos nossos Estádios. Os distúrbios, zaragatas, feridos, já estão à vista
e ainda não se realizou o jogo de futebol. A Polícia tem de tomar as medidas com
vista a menorizar os efeitos perversos desta medida e dos responsáveis pela
saúde e pelo governo não há uma palavra;
3.
Os
inspectores do SEF fazem um pré-aviso de greve por se sentirem humilhados por
um ministro do mais incompetente que há, mais truculento que existe, menos
consensual imaginável e este faz uma requisição civil dos mesmos, utilizando
uma figura excepcional da Lei. O mesmo ministro que não foi capaz de prever a
borrada que foi a comemoração do título de futebol nacional dentro do Estádio,
tem agora força para, ditatorialmente, coarctar direitos liberdades e garantias
constitucionais e, por este despudor, é apelidado pelo PM de excelente. Como
seria se fosse verdade! Certamente era elevado ao altar.
4.
Noutros
tempos foram arbitrariedades como estas que levaram à mudança de regime. Quando
o copo está cheio o que o faz transbordar é a última gota.
Face aos factos referidos, aos quais podíamos acrescentar o
de Odemira, a morte do emigrante e muitos outros, ressalta uma pergunta
inevitável: Não teremos de recorrer aos militares para porem esta gente na
ordem?
28/05/2021