DIA DA EUROPA!
E o que é que isto quer dizer? Pode dizer muito e pode dizer
nada. Para aqueles que acreditam que a vida se faz em comunidade diz muito.
Para os que só olham para o seu umbigo não dirá nada.
Ainda não há muitos anos, historicamente falando, que
andávamos todos à porra e à massa, como inimigos figadais, por mais um pedaço
de chão, um substrato mineral, por possessões noutros continentes ou, pura e
simplesmente, por questões de alianças e outras minudências.
No primeiro quartel do século XX foi a primeira guerra
mundial, também designada por Grande Guerra, que dizimou mais oito milhões de
seres humanos. Também a nós, portugueses, nos calhou uma boa fatia de mortos e
estropiados, quer em França quer em África.
Na primeira metade do mesmo século, pouco mais de duas
décadas depois, com recordações, muito presentes, da catástrofe da primeira
guerra, apareceu um lunático, um esquizofrénico, um sanguinário, que sem pudor
e sem senso, conduziu de novo a Europa a outra tragédia, onde morreram mais de trinta
e três milhões.
Aos mortos devem, por questão de justiça, juntar-se os
feridos, o sofrimento dos familiares e a fome de um continente inteiro.
Directamente, não entrámos neste segundo conflito, mas a
miséria e a fome entraram-nos portas adentro, com um ímpeto e uma intensidade
igual ou pior do que aquela que sofreram os países que estiveram no teatro da
guerra.
Daí para cá, e já lá vão quase oitenta anos, que vivemos em
paz na Europa. Muitas vezes uma paz podre, mas incomparavelmente, menos
mortífera do que no século passado.
Com o pontapé de saída com a criação do Benelux – união de
países com os mesmos interesses económicos – foram-se dando passos para a
criação da Comunidade Económica Europeia e hoje a União Europeia que, nas suas
diferentes fases, foi-se transformando, deixando de ser apenas união económica
e passando a ser, também, união política. Foi um grande, um enorme avanço. Tem
espaço para avançar muito mais e todos os povos se sentirem, verdadeiramente,
europeus. É preciso muito mais, mas “Roma e Pavia não se fizeram num dia” e lá
chegaremos. É a minha convicção.
Por tudo o que a União Europeia é hoje, pela paz, pela
solidariedade e pelo sentido comunitário que congrega a maior parte da Europa
sito meu dever celebrar este dia com satisfação esperando que os nossos filhos
e netos o possam fazer com júbilo o mais breve possível.
Viva a Europa, viva Portugal.
9/05/2021
Zé Rainho
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