Friday, May 28, 2021

28 de Maio de 1926

 

28 (Des)Maio…

O reviralho – grupo de republicanos, socialistas e anarco-sindicalistas – pouco representativo na vida nacional, para fugir aos inconvenientes de uma interpretação linear do acontecimento – Golpe de Estado -, designava este dia, desta maneira. Porém, o facto, não desmaiou, antes pelo contrário, cada dia que passava mais se fortalecia e mais adesão popular obtinha.

Uma república, com pouco mais do que uma dezena e meia de anos de vida, conseguiu a proeza do povo aderir, em massa, a um Golpe de Estado que colocava os militares no Poder.

O caos, a anarquia, a impunidade, associados à miséria e à fome foi o caldo perfeito para que o povo recorresse, em último recurso, aos Militares, para sua salvação.

 O resultado final não foi famoso, mas, porventura, também não poderia ter sido outro.

Aproximamo-nos, a passos largos, para que se atinja o século que este facto histórico aconteceu e, pelos vistos, não aprendemos nada.

Hoje vivemos uma asfixia democrática assustadora e ainda não houve um sobressalto cívico. Temos um partido político tentacular, que tudo controla e em tudo manda, que pratica as maiores barbaridades e se comporta de forma a raiar a ditadura e não se ouvem vozes que clamem, que alertem, que despertem o povo deste torpor paralisante.

Para que isto não pareça uma opinião pessoal e sectária vamos aos factos:

1.      Iniciou-se um processo de vacinação sob o comando de um boy da extrema-esquerda e, numa altura de escassez de vacinas – como ainda existe, ainda que em menor escala – estas eram administradas aos amigalhaços, aos da cor política, aos dos cargos político-partidários, em prejuízo dos grupos de maior risco e prioritários. Saiu o boy, por manifesta incompetência, compadrio e nepotismo, veio um militar e tudo corre sobre rodas. Um êxito enaltecido por toda a gente;

2.      Terminou um campeonato de futebol nacional e uma taça de Portugal sem público, sem adeptos, sem reuniões permitidas pelos boys e girls da Saúde e do Governo, apesar do índice de transmissibilidade e do número de casos de infecção serem diminutos. Quase no mesmo espaço de tempo – uma semana depois – com os índices piores do que na semana anterior, os mesmos boys e girls autorizam que venham, milhares de holligans do Reino Unido, assistir a uma final de futebol, entre dois clubes do seu país, nos quais não temos nenhum interesse, no nosso território e num dos nossos Estádios. Os distúrbios, zaragatas, feridos, já estão à vista e ainda não se realizou o jogo de futebol. A Polícia tem de tomar as medidas com vista a menorizar os efeitos perversos desta medida e dos responsáveis pela saúde e pelo governo não há uma palavra;

3.      Os inspectores do SEF fazem um pré-aviso de greve por se sentirem humilhados por um ministro do mais incompetente que há, mais truculento que existe, menos consensual imaginável e este faz uma requisição civil dos mesmos, utilizando uma figura excepcional da Lei. O mesmo ministro que não foi capaz de prever a borrada que foi a comemoração do título de futebol nacional dentro do Estádio, tem agora força para, ditatorialmente, coarctar direitos liberdades e garantias constitucionais e, por este despudor, é apelidado pelo PM de excelente. Como seria se fosse verdade! Certamente era elevado ao altar.

4.      Noutros tempos foram arbitrariedades como estas que levaram à mudança de regime. Quando o copo está cheio o que o faz transbordar é a última gota.

Face aos factos referidos, aos quais podíamos acrescentar o de Odemira, a morte do emigrante e muitos outros, ressalta uma pergunta inevitável: Não teremos de recorrer aos militares para porem esta gente na ordem?

28/05/2021

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