Sunday, January 31, 2021

HÁ MOMENTOS!

 

HÁ MOMENTOS!

Há momentos, na vida, que queremos que o tempo saia do seu ritmo e ande mais depressa. Já me aconteceu algumas vezes. Não vou enumerar quais, porque não quero maçar a vossa paciência.

No último trimestre do ano passado não foram raras as vezes que ouvi a expressão “que este ano chegue ao fim, passe depressa, para ver se nos livramos deste pesadelo, a pandemia”. O Novo Ano trazia consigo a esperança de que tudo seria diferente. Que tudo voltaria à normalidade conhecida.

Hoje, no último dia do mês de Janeiro deste Novo Ano assalta-nos, de novo, a ideia de que “oxalá passe depressa este tempo” para nos vermos livres do mesmo pesadelo que, afinal, não desapareceu com o Novo Ano, antes se agravou de forma mais grave, mais assustadora, mais restritiva da liberdade individual e colectiva e, pior, com um número de mortes verdadeiramente calamitoso. Já há notícias que terá reflexos na esperança média de vida dos portugueses, sob o ponto de vista estatístico.

Mas, se a esperança da população é razoável, intuitiva, já o desfecho me parece muito mais problemático. Por isso deixei de ter esperança naquela “normalidade” que sempre conheci. Acho que vou morrer sem nunca mais poder planear coisas que gostava de fazer, como viagens, visitas a lugares desconhecidos, conviver com dezenas de amigos, frequentar restaurantes cheios de gente diversa. Até me questiono, muitas vezes, se mais algum dia poderei ir a um teatro, cinema, museu, igreja, sem ter de usar máscara?

Vejo, pelo mundo inteiro a desgraça e a catástrofe em que se tornou esta pandemia. Mundo inteiro não. A China, país onde tudo começou, há muito que leva uma vida normal, teve um crescimento do PIB de mais de 2%, enquanto o resto do mundo se quedou por recessão mais ou menos severa. Mas, dizia eu, que via em todo o mundo a desgraça que grassa e o nosso País a encabeçar a lista dos piores do mundo, em percentagem, e isso deixa-me apreensivo. Desde logo porque, mais ou menos severamente, estamos confinados há dez meses. Vamos no décimo “Estado de Emergência”, com as consequências conhecidas e muitas que só se saberão mais tarde e, melhorias, nada.

Não me esqueço que o nosso povo é indisciplinado. Já os romanos diziam que somos “um povo que não se governa nem se deixa governar” e, consequentemente, terá a suas culpas no cartório, mas não posso deixar de reflectir nas responsabilidades de quem nos governa. Lembro-me de que em Janeiro do ano passado nos diziam que era muito difícil que fossemos atingidos pelo vírus da China. Não esqueço de que nos azucrinavam a cabeça com a ideia de que “as máscaras eram nocivas, porque davam uma falsa sensação de segurança”. Era preciso higienizar as mãos.

Hoje, depois de mais de doze mil mortes e mais de meio milhão de infectados. Depois dos Hospitais não saberem a quem hão-de acudir para viver ou a quem vão deixar morrer o que é que nos dizem as Entidades Oficiais? “Que é criminoso acusar o governo de não ter feito tudo o que devia para não chegarmos a esta situação”, ouvi da Ministra da Saúde. Sei onde está o crime, não consigo dizer quem é o criminoso. Digam vocês.

Concluo que não vale a pena ansiar para que o tempo passe depressa e que tal traga a cura e a solução para tudo o que nos está a acontecer. Que Deus nos proteja a todos.

31/1/2021

Zé Rainho

 

Monday, January 25, 2021

MATUTANDO!

 

MATUTANDO!

As eleições aconteceram ontem. Acabaram as fantochadas dos tempos de antena da campanha eleitoral. É altura de dar os parabéns ao vencedor e Presidente de todos os portugueses. Agora eleito, também é o meu presidente e por isso lhe desejo as maiores felicidades no desempenho das suas exigentes funções.

Durante os quinze dias de campanha ninguém viu nesta página qualquer tipo de referência ao acto eleitoral, aos candidatos nem sequer às minhas expectativas sobre estas eleições. Em devido tempo, no passado dia onze deste mês, fiz uma pequena reflexão sobre o que pensava destas eleições. Assim, ninguém me pode acusar de tentativas de manipulação de opinião sobre qualquer candidato por que, de facto, não o fiz. Agora, com toda a liberdade que recuso hipotecar seja a que preço for, já posso ir matutando sobre o que aconteceu.

Então vamos lá analisar o que se passou na campanha eleitoral e no respectivo acto. Não se me peça que o faça exaustivamente e, muito menos, cientificamente, apenas meditação de um simples e humilde cidadão que quer continuar a pensar.

A candidatura do Presidente Marcelo e depois candidato era há muito esperada e, ninguém com um pouco de senso, esperaria outra coisa, desde o célebre anúncio da AutoEuropa feito pelo Senhor Primeiro Ministro. Foi tardia e muito pouco convincente a justificação para o facto. O Presidente não fez campanha nem aproveitou o tempo de antena televisivo e, quanto a mim, fez mal. Se não se queria expor, devido à situação calamitosa em que vivemos, em termos de saúde pública, poderia utilizar o tempo de antena para motivar os eleitores para a exigência de um dever cívico que tanto custou a conquistar.

A candidatura de Ana Gomes não foi, de facto, uma candidatura à Presidência, mas sim uma manobra à procura de um palco para tentar influenciar o aparelho partidário do PS para ambições futuras já que, como é notório, o fim de vida política de António Costa, a nível nacional, está à vista. O PM quer muito um palco internacional e ambiciona, legitimamente, um lugar desse nível. Ana Gomes não trouxe nada de novo ao debate. Todas as ideias eram requentadas, mais próprias de um PREC de Março de 1975, do que um projecto para o futuro. Para culminar as ideias veiculadas eram mais próprias para um programa de governo do que para a magistratura de influência que é o que pode fazer um Presidente da República. Tentou atirar terra para os olhos dos eleitores e estes deram-lhe a resposta.

A candidatura de André Ventura baseou-se na tentativa de captação de votos dos descontentes, dos abandonados pelo sistema. Não nos podemos esquecer que os mais pobres dos pobres deste país são aqueles que, tendo trabalho, ganham o salário mínimo e têm de comer todos os dias levando marmita de casa. Não ganham para pagar uma renda de casa. Não têm condições económicas para dar aos seus filhos o suporte que lhes permita sair da triste roda da pobreza. Não trouxe nada de novo, mas disse aquilo que muitos portugueses dizem no trabalho, no café, na roda de amigos. Ainda repescou uns votos numa classe média que de média só tem o mínimo, quando falou na subsidiodependência e na corrupção.

A candidatura de Marisa Matias foi uma candidatura para avaliar o potencial do Bloco de Esquerda. Não visava nada. Não tinha um projecto. Nem sequer era para cumprir se houvesse um milagre de ser eleita. Basta ver o que fez, durante os últimos seis anos o BE, quando não se rebelou contra os cortes e as cativações do Centeno, quer para os Serviços Públicos, para o SNS, para as Forças de Segurança. Basta lembrar que, com o seu aval, o sector menos produtivo da vida nacional, a Justiça - que não funciona, que deixa prescrever os casos mais gritantes da corrupção deste país, que perdoa a ricos que empobrecem o resto do país e prende pilha galinhas - foi quem recebeu actualização de vencimentos, depois do último governo de Sócrates. Sim, foi Sócrates a fazer o primeiro corte de vencimentos da função pública, não convém esquecer, e só depois foi agravado por Passos Coelho quando ele foi gestor de insolvência e não Primeiro Ministro. Portanto, Marisa Martins, colheu o que o seu partido semeou.

A candidatura de João Ferreira destinava-se apenas a mostrar um candidato a Secretário Geral do PCP e não a um Presidente da República, como é público e notório. De forma enfática foi falando na Constituição, mas que se saiba, a Constituição nunca esteve em perigo e não cabe ao Presidente a última palavra sobre a mesma, mas sim ao Tribunal Constitucional. Portanto nada de novo. Sempre a cassete “defesa dos trabalhadores e do povo” como se o povo se limitasse a esta frase e os trabalhadores não fossem povo. Nem nos velhos redutos do PCP, o Alentejo profundo e pobre, recebeu votos que justificassem a sua candidatura.

A candidatura de Tino de Rans serviu para distrair a populaça que gosta de festejos e circo, sem qualquer desmerecimento para estas actividades. Não merece qualquer comentário a não ser que teve menos trinta mil votos do que há cinco anos.

A candidatura de Tiago Mayan serviu para consolidar a votação no Partido da Iniciativa Liberal e foi uma agradável surpresa. Abordou temas interessantes, ainda que pela rama, e sem quantificar medidas, mas não deixou de ser uma surpresa e obteve resultados muito interessantes.

Para terminar e porque o relambório vai longo dizer que os Partidos Políticos são quase todos perdedores. O PSD porque não conseguiu acorrentar Marcelo. O PS porque não tendo candidato o melhor que lhe sobrava era apostar o vencedor previsível. O CDS porque cada vez se vê mais partido do Táxi e precisa de se agarrar às silvas da beirada do poço. O PAN um verdadeiro desastre. Se fosse possível extrapolar os resultados para as legislativas ficava reduzido a menos de metade. O Livre, se já não existia, continua no esquecimento absoluto. Quem perdeu também foi o Governo e o Parlamento, por não terem acautelado as alterações indispensáveis à Lei eleitoral, que está obsoleta e não responde às exigências da maioria do eleitorado. Quem ganhou alguma coisa, mas nem de perto nem de longe, o que esperavam fora o Chega e o IL.

Ao Presidente eleito exige-se que desempenhe o papel charneira que a Constituição lhe atribui. Afectuoso sim, mas muito mais do que isso. Desde logo que leve, de novo, o País ao patamar de Nação respeitada no concerto das demais Nações, para não assistirmos ao achincalhamento público como aconteceu no Parlamento Europeu por causa de umas trapalhadas da Ministra da Justiça.

26/01/2021

Monday, January 11, 2021

Relembrando

Relembrando!


O face vai-me lembrando coisas que fui escrevendo e publicando na minha página pessoal. Hoje, deu-me conta do que escrevi, neste mesmo dia, mas do ano de 2016 e não pude ficar indiferente. Já nem me lembrava do sentimento que me habitava, na altura, mas relendo o que sentia - sim, eu só costumo escrever o que sinto - dou por mim a constatar que já se passaram cinco anos e nada mudou. Perdão, mudou alguma coisa mas para pior. 

São tantos os candidatos à presidência da república que não será por falta de diversidade de escolha que o Zé Votante fica em casa. Este ano até vai aparecer no boletim de voto um candidato que nunca o foi, nem podia ser, porque só enviou para o TC onze assinaturas quando, para ser aceite, necessitaria, no mínimo, de sete mil e quinhentas mas, apesar disso, por milagre vai aparecer em primeiro lugar. O TC diz que a responsabilidade é do MAI. Eles lá sabem porquê.

Quanto aos debates nas televisões são diários e, nalguns dias mais do que um, com pequenos intervalos de tempo entre si.

As perguntas dos jornalistas andam à volta de casos e casinhos, de frases e comentários que, hipoteticamente, os candidatos proferiram ou calaram e pouco mais. 

Não se conhecem e nem se fala dos programas eleitorais de cada candidato. 

Não se relembram os portugueses de que o Presidente da República não é eleito para governar mas apenas para arbitrar. Não é bem como a rainha de Inglaterra mas anda lá perto. 

Não se questionam os candidatos sobre o que pensam da Lei Eleitoral e das suas incongruências, como aquela que elege um deputado com cerca de vinte mil votos congregados em núcleos populacionais mais densos e desperdiça mais de quinhentos mil por se situarem em zonas deprimidas e de escassa densidade demográfica. 

Não se pergunta aos candidatos o que pensam sobre o atraso no desenvolvimento nacional, na divergência relativamente à UE onde nos integramos, enquanto outros países convergem, apesar das crises ou pandemias.

Não se ouve uma palavra sobre a monumental dívida pública. Sobre o enriquecimento ilícito, sobre a lentidão da Justiça, sobre a impunidade dos detentores de altos cargos públicos, sobre o dever de cada um ser responsabilizado pelos seus actos e não remeter as culpas para a entidade abstrata Estado, para todos nós pagarmos a incúria, ou as malfeitorias executadas só por alguns.

Os candidatos não estão interessados em esclarecer os eleitores mas apenas em lhe captar o voto.

As derivas e insultos pessoais ou partidários são uma constante e ninguém diz aos candidatos que têm a obrigação de ser cordatos, educados porque pretendem ser, após a eleição, uma referência para todos os portugueses e não só para os que votaram neles. 

Por fim, e não menos importante, na minha opinião, porque não perguntam a cada um dos candidatos quem é que suporta as despesas da campanha. Sim, porque eu não acredito que alguém esteja disposto a gastar dinheiro de suor por muito que tenha amealhado. E não me venham com tretas de que os resultados permitem recuperar o que gastam desde a pré-campanha porque eu lembro-me bem das lamúrias do candidatos Freitas do Amaral e Maria de Belém após perderem as respectivas eleições. 

4/1/2021

Zé Rainho 

Atribuição causal

 ATRIBUIÇÃO CAUSAL!


Os conceitos ajudam a compreender coisas simples ou complexas quando analisados da forma correcta. 

Heider estudou este conceito na psicologia social para que se compreenda melhor o comportamento social. Teve até em conta causas externas e causas internas que podem influenciar o comportamento social de cada um de nós. 

Esta introdução vem a propósito daquilo que somos como sociedade. Vou tentar explicar. Se eu, estudante, tiver mau aproveitamento escolar e atribuir a causa a terceiros como sejam os professores, as minhas condições sociais e económicas, as más instalações, por exemplo, eu não vou mudar o meu comportamento porque a culpa não é minha, a culpa é do sistema. Quantas vezes eu já ouvi isto? Mas se atribuir a causa ao meu desleixo, à minha falta de estudo, ao meu desinteresse pela matéria a estudar, ao meu desinteresse pela escola, com toda a certeza, assumo a minha culpa e mudo o meu comportamento para alterar os resultados que tenho obtido. Ou seja, passo a ler mais, a estudar mais, a estar mais atento na sala de aula e, ao fim de pouco tempo tenho resultados diferentes, melhores e que me deixam mais satisfeito comigo mesmo e aos outros, por arrastamento. 

No que diz respeito ao trabalho, às relações familiares e sociais passa-se, rigorosamente, a mesma coisa. Então será fácil entender diversos comportamentos que pululam na nossa sociedade. 

Vejamos: com a pandemia num estado de calamidade à beira da catástrofe se cada um de nós não assumir a atribuição causal respectiva o resultado só pode piorar.

Se os decisores políticos assumirem que a culpa é do cidadão e não das medidas que tomaram a situação catastrófica só pode tornar-se numa tragédia de dimensão assustadora com doentes abandonados à sua sorte é sem qualquer tipo de auxílio. 

Se os responsáveis pelas instituições de acolhimento de idosos atribuírem a culpa aos internados, porque foram fazer tratamentos ao hospital, ou aos funcionários que fizeram um almoço com os seus familiares, ou às instalações que não têm, ou ao Estado que não lhes dá meios, ou à família dos internados, com toda a certeza não fará nada para solucionar o problema que tem na sua instituição. Assobiará para o ar, disparando as culpas em todas as direcções menos para si próprio e o resultado final há-de ser sempre pior que hoje.

Quando não há informação precisa, correcta, simples, linerar, regras justas e ajustadas, claras e não se assume a responsabilidade não se vai mudar nada e tudo irá de mal a pior. Já vivemos essa experiência.

Então que conclusão podemos tirar deste arrazoado? Tire cada um a sua própria. Eu para mim entendo que se não assumirmos todos e cada um as respectivas atribuições causais jamais teremos uma sociedade mais informada, mais consciente, mais produtiva, mais solidária, numa palavra, uma sociedade melhor. Por mim assumo as minhas fragilidades e os meus erros e, por essa razão acho-me no direito de exigir o mesmo aos outros de forma gradativa. Quem tem mais responsabilidades e não assume os seus erros ficará com o ónus de ter contribuído de forma directa ou indirecta para a catástrofe do número de mortes e isso pesar-lhe-á na consciência, se é que a tem.

Eleições

ELEIÇÕES!


Periodicamente somos convocados para eleições e isso é bom. Quer dizer que temos na nossa mão o poder de escolher quem queremos para dirigir os destinos de cada um de nós mas - quando aparece esta conjunção adversativa - levanta-se sempre uma ou mais questões e aqui não é excepção. Será que os actos eleitorais no nosso país servem, efectivamente, para escolher aqueles que nos representam a todos ou apenas os interesses de alguns de nós? 

Se não é assim, pelo menos, parece. Desde logo porque os candidatos parecem todos terem saído do mesmo alfobre. Depois porque nenhum apresenta ideias que não sejam requentadas e que não tenhamos ouvido durante eleições anteriores. Mais ainda porque nenhum dos candidatos - atenção que quando refiro candidatos não estou a fazer qualquer descriminação de género, agora tão em voga, quando não se quer discutir o essencial, apenas que aquele vocábulo define, por si só, masculino e feminino - se compromete a alterar a letargia de um país, permanentemente adiado, sem futuro e sem horizonte de igualar o conjunto de países civilizados, de bem-estar e de defesa dos mais frágeis, de justiça igual para todos.

Depois porque a situação pantanosa em que vivemos não nos deixa ver quão frágil é a nossa democracia e quão desigual é a vida dos cidadãos. 

Se atentarmos numa simples verificação de factos constatamos quão diferentes são as oportunidades daqueles que se abrigam debaixo do chapéu partidário do poder e os demais cidadãos que não se deixam aprisionar por clubites de caráter pouco menos que mafiosas, com caceteiros de serviço permanente na hostilização dos não submissos, o que leva ao desinteresse e à abstenção cada vez maior. 

Se considerarmos este último aspecto leva-nos a outro tipo de reflexão. Que representatividade terá um eleito com cinquenta por cento mais um, maioria portanto, de um universo de eleitores em que mais de quarenta por cento se abstém? É que, mesmo sem grandes cálculos matemáticos, será fácil concluir que passa dos ditos cinquenta por cento para pouco mais do que trinta. 

No caso das presidenciais cuja campanha hoje se inicia a legitimidade que se quer para um presidente de todos os portugueses, não ficando em causa, fica pelo menos muito depauperada, ou não?

Se o Presidente que não governa e tem poderes limitados vir a sua representatividade diminuída em que situação ficará perante um poder executivo e/ou legislativo que lhe seja hostil? 

São questões, a nosso ver pertinentes, mas isso não justifica que fiquemos em casa, comodamente instalados, ou que nos desculpemos com o medo da pandemia, para não nos deslocarmos à mesa de voto, bem pelo contrário, devemos fazer todos os esforços para intervir na escolha porque senão consignamos aos outros o poder de decisão que só a nós cabe. 

Apesar do tédio que foram os debates até aqui e a insípida campanha que se prenuncia temos o dever de ir votar para que a tal legitimidade do que for eleito seja robustecida e assim lhe podermos exigir que respeite o legado que lhe atribuímos. 


Culpados e inocentes!

CULPADOS E INOCENTES! 


Vivemos tempos difíceis, complicados, quase tenebrosos. 

Por um lado, o número galopante de mortes devido ao COVID-19, o número de mortes por falta de assistência médica, por manifesta incapacidade do serviço nacional de saúde, como é referido por muitos profissionais de saúde. Por outro, pelas medidas, consideradas necessárias, para tentar diminuir os contágios e para os hospitais não entrarem em rotura total, encerrando toda a actividade económica e social. 

Duas situações deveras preocupantes, mesmo assustadoras. 

As mortes são intoleráveis. A fome, a miséria são inaceitáveis. Qual a solução? Parece-me que ninguém sabe. Todas as medidas anunciadas - desconhece-se a sua aplicabilidade - ainda não deram o resultado pretendido. O confinamento total de Março passado fez abrandar o ritmo de contágios mas não erradicou a doença. Em contrapartida, o encerramento de muitas actividades já provocou muita perda de emprego, de rendimento das famílias, com o empobrecimento a aumentar de forma galopante. 

Agora, numa orquestração detestável, as redes sociais são inundadas com postagens acusatórias aos portugueses comuns, como únicos culpados do exponencial aumento de casos COVID, devido ao Natal. 

Oram façam lá o favor de se recatarem nas informações abusivas que difundem. Não querendo acusar ninguém também não aceito que se responsabilizem as vítimas. 

Factos são factos e não podem ser desmentidos. 

Então, desde há cerca de um ano, que teve início esta situação, não têm havido medidas erradas? Então não se começou por dizer que as máscaras davam um falso sinal de segurança? Não se disse que não eram possíveis ajuntamentos de pessoas mas, simultaneamente, se autorizaram e autorizam manifestações de cariz político ou político partidário, porque “a democracia não está suspensa”? Então ontem mesmo não houve uma manifestação ilegal do denominados antifas? 

Então não tem havido uma disparidade de critérios na aplicação de regras pouco claras? Por que é que não pode haver público em Estádios de futebol ou num autódromo e pode haver em espaços fechados, como sejam casas de espectáculo ou até presença de público em programas televisivos, com a alegação de que estão cumpridas as regras de segurança? Não seriam possíveis as tais regras de segurança em espaços arejados?

Então o pequeno comércio tem de fechar e as catedrais do consumo podem estar abertas com multidões lá dentro acotovelando-se umas às outras?

Então obrigam-se as pessoas que não têm alternativa a ir aos sábados e domingos, só da parte da manhã, fazer as suas indispensáveis compras, porque trabalham a semana inteira de manhã cedo até alta noite, em vez de permitir que o comércio ao pé de casa abastecesse os habitantes da sua rua ou do seu bairro? 

Como é que com todas estas contradições querem que as pessoas se capacitem da gravidade do problema antes de este entrar na sua família mais próxima? 

Quando se diz que não se pode apontar o dedo a ninguém tem de ser mesmo a ninguém e não apenas à população. 

Vamos lá ver se nos entendemos e não culpemos os inocentes e ilibemos os culpados, está bem? 

Eu não esqueço aquelas imagens caricatas da ministra a acompanhar e a “massajar” a vacina e outras diatribes do género.