HÁ MOMENTOS!
Há momentos, na vida, que queremos que o tempo saia do seu
ritmo e ande mais depressa. Já me aconteceu algumas vezes. Não vou enumerar
quais, porque não quero maçar a vossa paciência.
No último trimestre do ano passado não foram raras as vezes
que ouvi a expressão “que este ano chegue ao fim, passe depressa, para ver se
nos livramos deste pesadelo, a pandemia”. O Novo Ano trazia consigo a esperança
de que tudo seria diferente. Que tudo voltaria à normalidade conhecida.
Hoje, no último dia do mês de Janeiro deste Novo Ano
assalta-nos, de novo, a ideia de que “oxalá passe depressa este tempo” para nos
vermos livres do mesmo pesadelo que, afinal, não desapareceu com o Novo Ano,
antes se agravou de forma mais grave, mais assustadora, mais restritiva da
liberdade individual e colectiva e, pior, com um número de mortes
verdadeiramente calamitoso. Já há notícias que terá reflexos na esperança média
de vida dos portugueses, sob o ponto de vista estatístico.
Mas, se a esperança da população é razoável, intuitiva, já o
desfecho me parece muito mais problemático. Por isso deixei de ter esperança
naquela “normalidade” que sempre conheci. Acho que vou morrer sem nunca mais poder
planear coisas que gostava de fazer, como viagens, visitas a lugares
desconhecidos, conviver com dezenas de amigos, frequentar restaurantes cheios
de gente diversa. Até me questiono, muitas vezes, se mais algum dia poderei ir
a um teatro, cinema, museu, igreja, sem ter de usar máscara?
Vejo, pelo mundo inteiro a desgraça e a catástrofe em que se
tornou esta pandemia. Mundo inteiro não. A China, país onde tudo começou, há
muito que leva uma vida normal, teve um crescimento do PIB de mais de 2%,
enquanto o resto do mundo se quedou por recessão mais ou menos severa. Mas,
dizia eu, que via em todo o mundo a desgraça que grassa e o nosso País a
encabeçar a lista dos piores do mundo, em percentagem, e isso deixa-me
apreensivo. Desde logo porque, mais ou menos severamente, estamos confinados há
dez meses. Vamos no décimo “Estado de Emergência”, com as consequências conhecidas
e muitas que só se saberão mais tarde e, melhorias, nada.
Não me esqueço que o nosso povo é indisciplinado. Já os
romanos diziam que somos “um povo que não se governa nem se deixa governar” e,
consequentemente, terá a suas culpas no cartório, mas não posso deixar de
reflectir nas responsabilidades de quem nos governa. Lembro-me de que em Janeiro
do ano passado nos diziam que era muito difícil que fossemos atingidos pelo vírus
da China. Não esqueço de que nos azucrinavam a cabeça com a ideia de que “as
máscaras eram nocivas, porque davam uma falsa sensação de segurança”. Era
preciso higienizar as mãos.
Hoje, depois de mais de doze mil mortes e mais de meio milhão
de infectados. Depois dos Hospitais não saberem a quem hão-de acudir para viver
ou a quem vão deixar morrer o que é que nos dizem as Entidades Oficiais? “Que é
criminoso acusar o governo de não ter feito tudo o que devia para não chegarmos
a esta situação”, ouvi da Ministra da Saúde. Sei onde está o crime, não consigo
dizer quem é o criminoso. Digam vocês.
Concluo que não vale a pena ansiar para que o tempo passe
depressa e que tal traga a cura e a solução para tudo o que nos está a
acontecer. Que Deus nos proteja a todos.
31/1/2021
Zé Rainho
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