ELEIÇÕES!
Periodicamente somos convocados para eleições e isso é bom. Quer dizer que temos na nossa mão o poder de escolher quem queremos para dirigir os destinos de cada um de nós mas - quando aparece esta conjunção adversativa - levanta-se sempre uma ou mais questões e aqui não é excepção. Será que os actos eleitorais no nosso país servem, efectivamente, para escolher aqueles que nos representam a todos ou apenas os interesses de alguns de nós?
Se não é assim, pelo menos, parece. Desde logo porque os candidatos parecem todos terem saído do mesmo alfobre. Depois porque nenhum apresenta ideias que não sejam requentadas e que não tenhamos ouvido durante eleições anteriores. Mais ainda porque nenhum dos candidatos - atenção que quando refiro candidatos não estou a fazer qualquer descriminação de género, agora tão em voga, quando não se quer discutir o essencial, apenas que aquele vocábulo define, por si só, masculino e feminino - se compromete a alterar a letargia de um país, permanentemente adiado, sem futuro e sem horizonte de igualar o conjunto de países civilizados, de bem-estar e de defesa dos mais frágeis, de justiça igual para todos.
Depois porque a situação pantanosa em que vivemos não nos deixa ver quão frágil é a nossa democracia e quão desigual é a vida dos cidadãos.
Se atentarmos numa simples verificação de factos constatamos quão diferentes são as oportunidades daqueles que se abrigam debaixo do chapéu partidário do poder e os demais cidadãos que não se deixam aprisionar por clubites de caráter pouco menos que mafiosas, com caceteiros de serviço permanente na hostilização dos não submissos, o que leva ao desinteresse e à abstenção cada vez maior.
Se considerarmos este último aspecto leva-nos a outro tipo de reflexão. Que representatividade terá um eleito com cinquenta por cento mais um, maioria portanto, de um universo de eleitores em que mais de quarenta por cento se abstém? É que, mesmo sem grandes cálculos matemáticos, será fácil concluir que passa dos ditos cinquenta por cento para pouco mais do que trinta.
No caso das presidenciais cuja campanha hoje se inicia a legitimidade que se quer para um presidente de todos os portugueses, não ficando em causa, fica pelo menos muito depauperada, ou não?
Se o Presidente que não governa e tem poderes limitados vir a sua representatividade diminuída em que situação ficará perante um poder executivo e/ou legislativo que lhe seja hostil?
São questões, a nosso ver pertinentes, mas isso não justifica que fiquemos em casa, comodamente instalados, ou que nos desculpemos com o medo da pandemia, para não nos deslocarmos à mesa de voto, bem pelo contrário, devemos fazer todos os esforços para intervir na escolha porque senão consignamos aos outros o poder de decisão que só a nós cabe.
Apesar do tédio que foram os debates até aqui e a insípida campanha que se prenuncia temos o dever de ir votar para que a tal legitimidade do que for eleito seja robustecida e assim lhe podermos exigir que respeite o legado que lhe atribuímos.
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