ATRIBUIÇÃO CAUSAL!
Os conceitos ajudam a compreender coisas simples ou complexas quando analisados da forma correcta.
Heider estudou este conceito na psicologia social para que se compreenda melhor o comportamento social. Teve até em conta causas externas e causas internas que podem influenciar o comportamento social de cada um de nós.
Esta introdução vem a propósito daquilo que somos como sociedade. Vou tentar explicar. Se eu, estudante, tiver mau aproveitamento escolar e atribuir a causa a terceiros como sejam os professores, as minhas condições sociais e económicas, as más instalações, por exemplo, eu não vou mudar o meu comportamento porque a culpa não é minha, a culpa é do sistema. Quantas vezes eu já ouvi isto? Mas se atribuir a causa ao meu desleixo, à minha falta de estudo, ao meu desinteresse pela matéria a estudar, ao meu desinteresse pela escola, com toda a certeza, assumo a minha culpa e mudo o meu comportamento para alterar os resultados que tenho obtido. Ou seja, passo a ler mais, a estudar mais, a estar mais atento na sala de aula e, ao fim de pouco tempo tenho resultados diferentes, melhores e que me deixam mais satisfeito comigo mesmo e aos outros, por arrastamento.
No que diz respeito ao trabalho, às relações familiares e sociais passa-se, rigorosamente, a mesma coisa. Então será fácil entender diversos comportamentos que pululam na nossa sociedade.
Vejamos: com a pandemia num estado de calamidade à beira da catástrofe se cada um de nós não assumir a atribuição causal respectiva o resultado só pode piorar.
Se os decisores políticos assumirem que a culpa é do cidadão e não das medidas que tomaram a situação catastrófica só pode tornar-se numa tragédia de dimensão assustadora com doentes abandonados à sua sorte é sem qualquer tipo de auxílio.
Se os responsáveis pelas instituições de acolhimento de idosos atribuírem a culpa aos internados, porque foram fazer tratamentos ao hospital, ou aos funcionários que fizeram um almoço com os seus familiares, ou às instalações que não têm, ou ao Estado que não lhes dá meios, ou à família dos internados, com toda a certeza não fará nada para solucionar o problema que tem na sua instituição. Assobiará para o ar, disparando as culpas em todas as direcções menos para si próprio e o resultado final há-de ser sempre pior que hoje.
Quando não há informação precisa, correcta, simples, linerar, regras justas e ajustadas, claras e não se assume a responsabilidade não se vai mudar nada e tudo irá de mal a pior. Já vivemos essa experiência.
Então que conclusão podemos tirar deste arrazoado? Tire cada um a sua própria. Eu para mim entendo que se não assumirmos todos e cada um as respectivas atribuições causais jamais teremos uma sociedade mais informada, mais consciente, mais produtiva, mais solidária, numa palavra, uma sociedade melhor. Por mim assumo as minhas fragilidades e os meus erros e, por essa razão acho-me no direito de exigir o mesmo aos outros de forma gradativa. Quem tem mais responsabilidades e não assume os seus erros ficará com o ónus de ter contribuído de forma directa ou indirecta para a catástrofe do número de mortes e isso pesar-lhe-á na consciência, se é que a tem.
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