Relembrando!
O face vai-me lembrando coisas que fui escrevendo e publicando na minha página pessoal. Hoje, deu-me conta do que escrevi, neste mesmo dia, mas do ano de 2016 e não pude ficar indiferente. Já nem me lembrava do sentimento que me habitava, na altura, mas relendo o que sentia - sim, eu só costumo escrever o que sinto - dou por mim a constatar que já se passaram cinco anos e nada mudou. Perdão, mudou alguma coisa mas para pior.
São tantos os candidatos à presidência da república que não será por falta de diversidade de escolha que o Zé Votante fica em casa. Este ano até vai aparecer no boletim de voto um candidato que nunca o foi, nem podia ser, porque só enviou para o TC onze assinaturas quando, para ser aceite, necessitaria, no mínimo, de sete mil e quinhentas mas, apesar disso, por milagre vai aparecer em primeiro lugar. O TC diz que a responsabilidade é do MAI. Eles lá sabem porquê.
Quanto aos debates nas televisões são diários e, nalguns dias mais do que um, com pequenos intervalos de tempo entre si.
As perguntas dos jornalistas andam à volta de casos e casinhos, de frases e comentários que, hipoteticamente, os candidatos proferiram ou calaram e pouco mais.
Não se conhecem e nem se fala dos programas eleitorais de cada candidato.
Não se relembram os portugueses de que o Presidente da República não é eleito para governar mas apenas para arbitrar. Não é bem como a rainha de Inglaterra mas anda lá perto.
Não se questionam os candidatos sobre o que pensam da Lei Eleitoral e das suas incongruências, como aquela que elege um deputado com cerca de vinte mil votos congregados em núcleos populacionais mais densos e desperdiça mais de quinhentos mil por se situarem em zonas deprimidas e de escassa densidade demográfica.
Não se pergunta aos candidatos o que pensam sobre o atraso no desenvolvimento nacional, na divergência relativamente à UE onde nos integramos, enquanto outros países convergem, apesar das crises ou pandemias.
Não se ouve uma palavra sobre a monumental dívida pública. Sobre o enriquecimento ilícito, sobre a lentidão da Justiça, sobre a impunidade dos detentores de altos cargos públicos, sobre o dever de cada um ser responsabilizado pelos seus actos e não remeter as culpas para a entidade abstrata Estado, para todos nós pagarmos a incúria, ou as malfeitorias executadas só por alguns.
Os candidatos não estão interessados em esclarecer os eleitores mas apenas em lhe captar o voto.
As derivas e insultos pessoais ou partidários são uma constante e ninguém diz aos candidatos que têm a obrigação de ser cordatos, educados porque pretendem ser, após a eleição, uma referência para todos os portugueses e não só para os que votaram neles.
Por fim, e não menos importante, na minha opinião, porque não perguntam a cada um dos candidatos quem é que suporta as despesas da campanha. Sim, porque eu não acredito que alguém esteja disposto a gastar dinheiro de suor por muito que tenha amealhado. E não me venham com tretas de que os resultados permitem recuperar o que gastam desde a pré-campanha porque eu lembro-me bem das lamúrias do candidatos Freitas do Amaral e Maria de Belém após perderem as respectivas eleições.
4/1/2021
Zé Rainho
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