Monday, January 25, 2021

MATUTANDO!

 

MATUTANDO!

As eleições aconteceram ontem. Acabaram as fantochadas dos tempos de antena da campanha eleitoral. É altura de dar os parabéns ao vencedor e Presidente de todos os portugueses. Agora eleito, também é o meu presidente e por isso lhe desejo as maiores felicidades no desempenho das suas exigentes funções.

Durante os quinze dias de campanha ninguém viu nesta página qualquer tipo de referência ao acto eleitoral, aos candidatos nem sequer às minhas expectativas sobre estas eleições. Em devido tempo, no passado dia onze deste mês, fiz uma pequena reflexão sobre o que pensava destas eleições. Assim, ninguém me pode acusar de tentativas de manipulação de opinião sobre qualquer candidato por que, de facto, não o fiz. Agora, com toda a liberdade que recuso hipotecar seja a que preço for, já posso ir matutando sobre o que aconteceu.

Então vamos lá analisar o que se passou na campanha eleitoral e no respectivo acto. Não se me peça que o faça exaustivamente e, muito menos, cientificamente, apenas meditação de um simples e humilde cidadão que quer continuar a pensar.

A candidatura do Presidente Marcelo e depois candidato era há muito esperada e, ninguém com um pouco de senso, esperaria outra coisa, desde o célebre anúncio da AutoEuropa feito pelo Senhor Primeiro Ministro. Foi tardia e muito pouco convincente a justificação para o facto. O Presidente não fez campanha nem aproveitou o tempo de antena televisivo e, quanto a mim, fez mal. Se não se queria expor, devido à situação calamitosa em que vivemos, em termos de saúde pública, poderia utilizar o tempo de antena para motivar os eleitores para a exigência de um dever cívico que tanto custou a conquistar.

A candidatura de Ana Gomes não foi, de facto, uma candidatura à Presidência, mas sim uma manobra à procura de um palco para tentar influenciar o aparelho partidário do PS para ambições futuras já que, como é notório, o fim de vida política de António Costa, a nível nacional, está à vista. O PM quer muito um palco internacional e ambiciona, legitimamente, um lugar desse nível. Ana Gomes não trouxe nada de novo ao debate. Todas as ideias eram requentadas, mais próprias de um PREC de Março de 1975, do que um projecto para o futuro. Para culminar as ideias veiculadas eram mais próprias para um programa de governo do que para a magistratura de influência que é o que pode fazer um Presidente da República. Tentou atirar terra para os olhos dos eleitores e estes deram-lhe a resposta.

A candidatura de André Ventura baseou-se na tentativa de captação de votos dos descontentes, dos abandonados pelo sistema. Não nos podemos esquecer que os mais pobres dos pobres deste país são aqueles que, tendo trabalho, ganham o salário mínimo e têm de comer todos os dias levando marmita de casa. Não ganham para pagar uma renda de casa. Não têm condições económicas para dar aos seus filhos o suporte que lhes permita sair da triste roda da pobreza. Não trouxe nada de novo, mas disse aquilo que muitos portugueses dizem no trabalho, no café, na roda de amigos. Ainda repescou uns votos numa classe média que de média só tem o mínimo, quando falou na subsidiodependência e na corrupção.

A candidatura de Marisa Matias foi uma candidatura para avaliar o potencial do Bloco de Esquerda. Não visava nada. Não tinha um projecto. Nem sequer era para cumprir se houvesse um milagre de ser eleita. Basta ver o que fez, durante os últimos seis anos o BE, quando não se rebelou contra os cortes e as cativações do Centeno, quer para os Serviços Públicos, para o SNS, para as Forças de Segurança. Basta lembrar que, com o seu aval, o sector menos produtivo da vida nacional, a Justiça - que não funciona, que deixa prescrever os casos mais gritantes da corrupção deste país, que perdoa a ricos que empobrecem o resto do país e prende pilha galinhas - foi quem recebeu actualização de vencimentos, depois do último governo de Sócrates. Sim, foi Sócrates a fazer o primeiro corte de vencimentos da função pública, não convém esquecer, e só depois foi agravado por Passos Coelho quando ele foi gestor de insolvência e não Primeiro Ministro. Portanto, Marisa Martins, colheu o que o seu partido semeou.

A candidatura de João Ferreira destinava-se apenas a mostrar um candidato a Secretário Geral do PCP e não a um Presidente da República, como é público e notório. De forma enfática foi falando na Constituição, mas que se saiba, a Constituição nunca esteve em perigo e não cabe ao Presidente a última palavra sobre a mesma, mas sim ao Tribunal Constitucional. Portanto nada de novo. Sempre a cassete “defesa dos trabalhadores e do povo” como se o povo se limitasse a esta frase e os trabalhadores não fossem povo. Nem nos velhos redutos do PCP, o Alentejo profundo e pobre, recebeu votos que justificassem a sua candidatura.

A candidatura de Tino de Rans serviu para distrair a populaça que gosta de festejos e circo, sem qualquer desmerecimento para estas actividades. Não merece qualquer comentário a não ser que teve menos trinta mil votos do que há cinco anos.

A candidatura de Tiago Mayan serviu para consolidar a votação no Partido da Iniciativa Liberal e foi uma agradável surpresa. Abordou temas interessantes, ainda que pela rama, e sem quantificar medidas, mas não deixou de ser uma surpresa e obteve resultados muito interessantes.

Para terminar e porque o relambório vai longo dizer que os Partidos Políticos são quase todos perdedores. O PSD porque não conseguiu acorrentar Marcelo. O PS porque não tendo candidato o melhor que lhe sobrava era apostar o vencedor previsível. O CDS porque cada vez se vê mais partido do Táxi e precisa de se agarrar às silvas da beirada do poço. O PAN um verdadeiro desastre. Se fosse possível extrapolar os resultados para as legislativas ficava reduzido a menos de metade. O Livre, se já não existia, continua no esquecimento absoluto. Quem perdeu também foi o Governo e o Parlamento, por não terem acautelado as alterações indispensáveis à Lei eleitoral, que está obsoleta e não responde às exigências da maioria do eleitorado. Quem ganhou alguma coisa, mas nem de perto nem de longe, o que esperavam fora o Chega e o IL.

Ao Presidente eleito exige-se que desempenhe o papel charneira que a Constituição lhe atribui. Afectuoso sim, mas muito mais do que isso. Desde logo que leve, de novo, o País ao patamar de Nação respeitada no concerto das demais Nações, para não assistirmos ao achincalhamento público como aconteceu no Parlamento Europeu por causa de umas trapalhadas da Ministra da Justiça.

26/01/2021

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