Dou por mim a pensar: - Porque
será que ouço tantas vezes e a tanta gente, de forma muito displicente e mesmo
depreciativa, esta frase batida, associada sempre, negativamente, ao antigo
Regime Político? Onde está o erro, o anátema, para que tanta gente, dita
pensante, se refira a este pensamento como algo maléfico, como jargão que pode
ser atirado à cara dos adversários políticos, como se fossem bofetadas, bem
zurzidas?
É, porventura, defeito meu, não
consigo entender este desaforo. Por isso vou tentar escalpelizar as palavras, a
frase e tentar descobrir onde está, ou estão os defeitos, que levam essa boa
gente a considerar um insulto, tal pensamento.
Vem-me ao pensamento, desde logo,
a primeira palavra, “DEUS” e não posso deixar de concluir que toda a gente,
toda a Pessoa, precisa de Deus. Até o ateu convicto, tem necessidade de Deus,
nem que seja para negar a Sua existência, quanto mais não necessitarão os
crentes.
Passando à Pátria, não posso
deixar de pensar em chão, em raiz, em algo de tão profundo que me dá
estabilidade e me faz sentir como pertencente a um lugar que é meu, do qual
faço parte integrante e que, sem ele me sinto nómada, vagabundo, sem abrigo
enfim, alguém a quem é subtraído o essencial, para se sentir parte de um todo
que é o seu povo e que faz parte de uma Nação, com os seus defeitos e
qualidades, que são a sua cultura mais profunda.
Família é outra palavra que me
traz ao pensamento o meu vínculo a uma pequena ou grande comunidade, quer se
trate de família de sangue, da terra da naturalidade, da paróquia onde fui
baptizado, do clube a que pertenço, numa palavra, a minha árvore de
sustentação.
Analisadas as palavras
individualmente juntamo-las para formar uma frase, um slogan, um mote para voos
mais altos. E que vejo eu?
Que se não pode viver sem Deus.
Que não se é inteiro sem uma Pátria. Que seria um órfão se não tivesse uma
família que fez de mim o homem que sou e na qual busco o suporte, o arrimo, o
azimute, que me indica o caminho a seguir.
Então se a frase tem todos estes
predicados como pode ser entendida por alguns como anátema? Só por meras
questões ideológicas é, sofrivelmente, entendível. Pior, só se compreende se
tiver por trás um objectivo de destruição. Destruição do sentido da vida. Destruição dum
chão unificado e de pertença. Destruição de uma célula base de qualquer
sociedade que se preze e com um mínimo de evolução. Mesmo no tempo das cavernas
o núcleo familiar foi sempre o suporte de aprendizagem, de conduta, de
conhecimento e de entreajuda.
Então porquê esta bofetada com
que sou atingido pela televisão, rádio, jornais, dada por gente a quem pago
para me servir, na defesa da sociedade em que me integro e para a qual
contribuo, para que seja organizada, com visão prospectiva, e que defenda a sua
preservação para que os vindouros aqui encontrem, pelo menos, o mesmo que
herdámos, se não puder ser multiplicado, como seria nossa obrigação de por a
render os talentos que nos legaram as anteriores gerações e que as nossas capacidades,
intrínsecas, deveriam desenvolver e potenciar?
Concluo que não estarei errado se
disser que sou atingido com o dito jargão e não me devo sentir ofendido. Pelo
contrário devo sentir-me lisonjeado por fazer parte de uma sociedade que se
rege por tão sublime mote, que é a base, o fundamento, a substância de um ser
humano com valores éticos, que vive segundo a verdade. E que quem profere a
frase com sentido depreciativo é gente sem cultura, sem conhecimento, sem
saber, sem dignidade, sem respeito pelo povo que, em última análise, a sustenta.
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