Thursday, July 23, 2020

“Deus Pátria e Família”


 

Dou por mim a pensar: - Porque será que ouço tantas vezes e a tanta gente, de forma muito displicente e mesmo depreciativa, esta frase batida, associada sempre, negativamente, ao antigo Regime Político? Onde está o erro, o anátema, para que tanta gente, dita pensante, se refira a este pensamento como algo maléfico, como jargão que pode ser atirado à cara dos adversários políticos, como se fossem bofetadas, bem zurzidas?

É, porventura, defeito meu, não consigo entender este desaforo. Por isso vou tentar escalpelizar as palavras, a frase e tentar descobrir onde está, ou estão os defeitos, que levam essa boa gente a considerar um insulto, tal pensamento.

Vem-me ao pensamento, desde logo, a primeira palavra, “DEUS” e não posso deixar de concluir que toda a gente, toda a Pessoa, precisa de Deus. Até o ateu convicto, tem necessidade de Deus, nem que seja para negar a Sua existência, quanto mais não necessitarão os crentes.

Passando à Pátria, não posso deixar de pensar em chão, em raiz, em algo de tão profundo que me dá estabilidade e me faz sentir como pertencente a um lugar que é meu, do qual faço parte integrante e que, sem ele me sinto nómada, vagabundo, sem abrigo enfim, alguém a quem é subtraído o essencial, para se sentir parte de um todo que é o seu povo e que faz parte de uma Nação, com os seus defeitos e qualidades, que são a sua cultura mais profunda.

Família é outra palavra que me traz ao pensamento o meu vínculo a uma pequena ou grande comunidade, quer se trate de família de sangue, da terra da naturalidade, da paróquia onde fui baptizado, do clube a que pertenço, numa palavra, a minha árvore de sustentação.

Analisadas as palavras individualmente juntamo-las para formar uma frase, um slogan, um mote para voos mais altos. E que vejo eu?

Que se não pode viver sem Deus. Que não se é inteiro sem uma Pátria. Que seria um órfão se não tivesse uma família que fez de mim o homem que sou e na qual busco o suporte, o arrimo, o azimute, que me indica o caminho a seguir.

Então se a frase tem todos estes predicados como pode ser entendida por alguns como anátema? Só por meras questões ideológicas é, sofrivelmente, entendível. Pior, só se compreende se tiver por trás um objectivo de destruição.  Destruição do sentido da vida. Destruição dum chão unificado e de pertença. Destruição de uma célula base de qualquer sociedade que se preze e com um mínimo de evolução. Mesmo no tempo das cavernas o núcleo familiar foi sempre o suporte de aprendizagem, de conduta, de conhecimento e de entreajuda.

Então porquê esta bofetada com que sou atingido pela televisão, rádio, jornais, dada por gente a quem pago para me servir, na defesa da sociedade em que me integro e para a qual contribuo, para que seja organizada, com visão prospectiva, e que defenda a sua preservação para que os vindouros aqui encontrem, pelo menos, o mesmo que herdámos, se não puder ser multiplicado, como seria nossa obrigação de por a render os talentos que nos legaram as anteriores  gerações e que as nossas capacidades, intrínsecas, deveriam desenvolver e potenciar?

Concluo que não estarei errado se disser que sou atingido com o dito jargão e não me devo sentir ofendido. Pelo contrário devo sentir-me lisonjeado por fazer parte de uma sociedade que se rege por tão sublime mote, que é a base, o fundamento, a substância de um ser humano com valores éticos, que vive segundo a verdade. E que quem profere a frase com sentido depreciativo é gente sem cultura, sem conhecimento, sem saber, sem dignidade, sem respeito pelo povo que, em última análise, a sustenta.


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