Estamos
no segundo dia do ano de 2007 - 2 de Janeiro.
Nestas
épocas recebemos e enviamos mensagens que procuram demonstrar aos nossos amigos
que estamos com eles e que temos orgulho de os considerarmos amigos. É, também,
nesta altura que fazemos planos e que olhamos o futuro com mais esperança ou,
se calhar, não será esperança será apenas expectativa. De qualquer maneira o
que interessa é que o optimismo não nos deixe, não nos abandone e que nos
traga, de facto, alguma esperança em dias melhores, em países melhores, em
políticos melhores, em religiões melhores, enfim, num Mundo onde não haja fome
nem guerra, onde não haja discórdia mas entendimento, onde, pelo menos, se
possa viver com dignidade.
Eu
fico na expectativa porque, com franqueza, tenho poucas esperanças em mudanças
para melhor. Quer porque há gente cada vez mais má, mais criminosa, com menos
valores morais, com mais apego ao dinheiro e a todas as fraquezas que ele
conduz.
Fico
na expectativa porque não vejo que os grandes deste país e do mundo se
preocupem com as pessoas mas se sirvam dos lugares que ocupam para obter
ilegitimamente maiores benesses para si e para os seus alargando o leque,
quanto muito, a alguns amigos.
Fico
na expectativa porque estou rodeado de familiares, amigos e conterrâneos cada
vez mais velhos e, seguindo a lógica da vida, alguns vão desaparecer do nosso
meio e quem sabe se não sou eu mesmo ou alguns dos que me são muito queridos.
Fico
na expectativa porque no passado dia 21 morreu o meu amigo (meu irmão) Quim .
Um lutador que foi vencendo a morte, etapa a etapa num longo período de dezoito
anos de sofrimento. Agora descansa em Paz e tenho Fé, Fé não certeza, de que
estará sentado à direita do Pai já que os seus valores Cristãos e a sua doação
ao Outro não merecia outra recompensa. Foi uma perda enorme e um desgosto
tremendo mas a razão diz-me que é a Lei da vida ainda que 63 anos não fossem
suficientes para ele concretizar todos os seus sonhos e seus projectos.
No
dia 31, último dia do ano velho, recebo de chofre a notícia de que um amigo meu
o Vítor Gonçalves de Leiria perdeu o filho de 42 anos de idade com uma aparente
e corriqueira gripe. Fiquei de rastos não só pelo acontecido mas também pela
forma como me chegou a notícia através de uma tia da mulher do falecido que eu
jamais supus que eles se conhecessem. Foi o facto de o Victor ter perguntado a
esta tia da viúva de onde era e ela lhe ter dito que tinha vindo da Meimoa é
que ele lhe disse, com toda a amargura de um pai despedaçado: Ah! a Meimoa como
tenho saudades dela, já lá estive em casa do meu grande amigo Rainho Caldeira.
Foi um choque como se calcula e daí que contingências similares me deixem na
expectativa já que sou um homem com pouca Fé. Quem me dera que Deus aumentasse
a minha Fé para que eu visse o Mundo com esperança e esquecesse o cepticismo da
expectativa.
Apesar
de tudo gostei de ouvir a mensagem de Ano No do Sr. Presidente da República
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva. Sempre sóbrio mas pragmático. Honesto,
realista mas a puxar pela auto-estima dos portugueses e pelas orelhas de um
Governo de promessas e anúncios com umas quantas medidas avulsas implementadas
mas que apenas prejudicam os mais desfavorecidos. Ele pode fazer pouco. O nosso
sistema político-constitucional não lhe deixa grande margem de manobra para
intervir mas ele sabe do que fala porque, não é por acaso, que é considerado,
pela esmagadora maioria do povo português como o melhor primeiro-ministro pós
revolução de 1974.
Duma
coisa tenho a certeza: tenho que fazer a minha parte. Lutar com as minhas
possibilidades para defender os mais fracos. Denunciar os corruptos. Abominar
os aproveitadores da coisa pública. Promover junto dos que comigo privam no dia-a-dia
ou na Universidade uma cultura de responsabilidade que leve toda a gente a
pensar que o que é do Estado é de todos nós e não de ninguém como é comum ouvir
dizer-se.
Hoje
comecei por fazer uma boa acção. Escrevi uma Carta ao Presidente da Câmara para
que repare os prejuízos que causa a uma viúva e aos quais não responde desde
2001. É muito tempo, não acham? A mulher coitada sente-se desamparada e
impotente. Eu aconselhei-a a enviar esta carta, cordata, solícita e bem-intencionada
mas, se não obtiver resposta em tempo razoável, a queixar-se à tutela. Ela nem
sabia que tinha direito a fazê-lo. Vamos ver no que vai dar. Mas duma coisa não
tenho dúvida: não se pode deixar estes incompetentes sem uma resposta à altura.
Eles não podem usar os votos que demagogicamente alcançam para beneficiar uns e
prejudicar os outros. Os eleitos, depois de tal, são responsáveis por todos e
não só pelos que neles votaram. Esta é uma cultura democrática e nós,
portugueses, já tivemos tempo de exigir, de facto, uma democracia madura.
Ficamos
na expectativa.
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