Não
sei se te diga se conte… É desta forma que, cá pela nossa terrinha, se começa
muita conversa, umas mais fúteis outras de maior profundidade.
Também me apetece começar esta crónica com este intróito: Não sei se vos diga se vos conte… Parece brincadeira mas não é, acreditem. É que dizer é uma coisa e contar pode ser outra bem diferente. Aliás há quem diga muito e conte pouco e quem conte muito dizendo pouco. Passemos então ao assunto que gostaria de ser capaz de contar alguma coisa dizendo o menos possível.
Imaginem-se numa qualquer sociedade de peixes – não precisam de saber de Ictiologia – para que tal possa acontecer e analisem e reflictam sobre algumas espécies: o roncador, o tubarão e o peixelim, por exemplo. Poderia ter escolhido outras espécies, mas penso que estas podem ilustrar o que quero manifestar.
Todos sabemos que o roncador é assim designado não só por ser um teleósteo mas principalmente pelo ruído que vai fazendo nos seus percursos naturais de sobrevivência. É dos tais que falam, falam, falam e não fazem nada. O tubarão é por de mais conhecido pela voracidade e pela capacidade devastadora de todas as espécies, incluindo o homem se este se aventurar no seu território. A sua sageza é de tal forma apurada que presente a presa à distância e define com muita objectividade a sua captura. Não olha a meios nem a processos para atingir os seus objectivos que, em última análise, é simplesmente obter sempre mais e mais.
O peixelim sendo uma das espécies mais pequenas, vive em cardumes, na vã expectativa de se proteger mutuamente, não se apercebendo que é desta forma que o tubarão engole de uma só vez uma grande quantidade dos seus constituintes.
Não pretendo com este artigo fazer qualquer tipo de associação ao ilustríssimo Padre António Vieira, mas entendo que falar de uma sociedade de peixes pode muito bem ajustar-se e a ajudar-nos a reflectir sobre uma qualquer sociedade dos homens.
Vejamos então: vem de tempos imorredouros, na Nação que é nossa, que amamos, e por isso nos damos ao trabalho de sobre ela cogitar, que as espécies de homens que se assemelham, nas atitudes, nos comportamentos e nas práticas, aos peixes que titulam esta “estória” pululam como cardumes por este pequeno rectângulo à beira-mar plantado.
Basta olharmos para o Diário da República para vermos que os roncadores falam, falam, falam e não fazem nada. Anunciam medidas sobre medidas e depois constata-se quase sempre que não passam de embustes para pacóvios enganar. Poderíamos evocar muitas situações porém, basta-nos lembrar a política de combate à pobreza dando um mínimo de 300€ aos velhinhos de oitenta anos, que não tenham outros rendimentos. Na prática, porque os filhos são obrigados a suprir as deficiências do Estado, só uma minoria – eventualmente, a menos necessitada e com condições dos seus familiares fugirem ao Fisco – virão a receber tal montante pois basta que os tais velhinhos tenham um “caterva” de filhos, o que nem é de admirar, já que na época as famílias numerosas eram as mais comuns, fornecem ao Governo com o seu IRS o álibi para não tratar todos os portugueses de igual forma. Estes roncadores também se esquecem de que a riqueza que eles estão a desbaratar foi criada com o sacrifício, quando não a fome desses mesmos velhinhos.
Paradoxalmente vemos os tubarões, administradores de empresas públicas, do banco de Portugal, da caixa geral de depósitos, da provedoria de justiça, de autarquias diversas, que com reforma chorudas continuam nos seus postos optando ora pelo ordenado e por um terço da reforma, ora pela reforma e um terço do ordenado o que, na prática, se traduz num aumento mensal de mais de trinta por cento. Estamos perante a situação denunciada pelo poeta cantor no tempo do Estado Novo: “eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada”. Não se entendam estes reparos apenas ao governo actual. Nem de perto nem de longe. Estas são situações que vivemos há dezenas de anos e todos os governos têm a sua quota-parte de responsabilidade nesta situação, se calhar até maior, já que nunca tiveram a coragem de cortar nas benesses dos políticos e este parece que cortando não corta.
O Peixelim, mais uma vez, não só não tem valor como é enganado pelas diatribes dos roncadores e engolido pela fome insaciável dos tubarões.
E que temos nós academistas a ver com isto perguntarão alguns, com carradas de razão? Aparentemente nada. Praticamente tudo. Então nós não estamos em posição de podermos reivindicar sem medos o que julgamos justo? Então a Academia não serve para defender valores? Então nós que temos um conhecimento de experiência feito não temos o direito, mais, o dever de nos rebelarmos contra esta intromissão do Estado na vida familiar? Então ao Estado não cabe apenas a função de regulador e de distribuidor da riqueza que o País produz e não deve fazê-lo com equidade, transparência e honestidade? Se temos um Estado que não é capaz de cumprir estes dois simples e corriqueiros objectivos para que é que precisamos do Estado?
A acção social do Estado há muito que está estudada, com leis e teorias, que vêm de há muito e remontam aos “pais fundadores” da sociologia como Émile Durkheim, Max Weber, Guy Rocher, Rousseau, Comte e outros, que desde o século XIX defendem posições sociais que ainda hoje são fenómenos da actualidade pela influência que ainda continuam a exercer nas sociedades, ditas desenvolvidas. A industrialização, a urbanização, a solidariedade orgânica são contextos de uma libertação e independência individual assente precisamente na diferenciação do indivíduo, sem tutelas nem controlos externos, ainda que interdependentes na acção e na vivência pessoal. Todos dependemos de todos.
A Velharia, termo usado – sem qualquer sentido pejorativo - mas carinhoso e respeitoso merece, por parte dos mais jovens, em geral e dos governos em particular, uma atenção que não se coaduna com o desrespeito e com a mistificação com que está a ser tratada. A vetustez inerente à idade exige, no mínimo, respeito e consideração, tanto pelo conhecimento de que é detentora como pelo muito que já fez pelo País, com o seu trabalho, a sua dedicação, a sua inteligência e até com o seu sacrifício.
Por tudo isto e muito mais que poderíamos enunciar os Academistas Seniores da Covilhã não se poderão calar e, no respeito integral pelos seus Estatutos, compete-lhe denunciar atropelos ao mesmo tempo que é sua obrigação defender valores que não se coadunam com a postura e a compostura dos roncadores e dos tubarões.
Também me apetece começar esta crónica com este intróito: Não sei se vos diga se vos conte… Parece brincadeira mas não é, acreditem. É que dizer é uma coisa e contar pode ser outra bem diferente. Aliás há quem diga muito e conte pouco e quem conte muito dizendo pouco. Passemos então ao assunto que gostaria de ser capaz de contar alguma coisa dizendo o menos possível.
Imaginem-se numa qualquer sociedade de peixes – não precisam de saber de Ictiologia – para que tal possa acontecer e analisem e reflictam sobre algumas espécies: o roncador, o tubarão e o peixelim, por exemplo. Poderia ter escolhido outras espécies, mas penso que estas podem ilustrar o que quero manifestar.
Todos sabemos que o roncador é assim designado não só por ser um teleósteo mas principalmente pelo ruído que vai fazendo nos seus percursos naturais de sobrevivência. É dos tais que falam, falam, falam e não fazem nada. O tubarão é por de mais conhecido pela voracidade e pela capacidade devastadora de todas as espécies, incluindo o homem se este se aventurar no seu território. A sua sageza é de tal forma apurada que presente a presa à distância e define com muita objectividade a sua captura. Não olha a meios nem a processos para atingir os seus objectivos que, em última análise, é simplesmente obter sempre mais e mais.
O peixelim sendo uma das espécies mais pequenas, vive em cardumes, na vã expectativa de se proteger mutuamente, não se apercebendo que é desta forma que o tubarão engole de uma só vez uma grande quantidade dos seus constituintes.
Não pretendo com este artigo fazer qualquer tipo de associação ao ilustríssimo Padre António Vieira, mas entendo que falar de uma sociedade de peixes pode muito bem ajustar-se e a ajudar-nos a reflectir sobre uma qualquer sociedade dos homens.
Vejamos então: vem de tempos imorredouros, na Nação que é nossa, que amamos, e por isso nos damos ao trabalho de sobre ela cogitar, que as espécies de homens que se assemelham, nas atitudes, nos comportamentos e nas práticas, aos peixes que titulam esta “estória” pululam como cardumes por este pequeno rectângulo à beira-mar plantado.
Basta olharmos para o Diário da República para vermos que os roncadores falam, falam, falam e não fazem nada. Anunciam medidas sobre medidas e depois constata-se quase sempre que não passam de embustes para pacóvios enganar. Poderíamos evocar muitas situações porém, basta-nos lembrar a política de combate à pobreza dando um mínimo de 300€ aos velhinhos de oitenta anos, que não tenham outros rendimentos. Na prática, porque os filhos são obrigados a suprir as deficiências do Estado, só uma minoria – eventualmente, a menos necessitada e com condições dos seus familiares fugirem ao Fisco – virão a receber tal montante pois basta que os tais velhinhos tenham um “caterva” de filhos, o que nem é de admirar, já que na época as famílias numerosas eram as mais comuns, fornecem ao Governo com o seu IRS o álibi para não tratar todos os portugueses de igual forma. Estes roncadores também se esquecem de que a riqueza que eles estão a desbaratar foi criada com o sacrifício, quando não a fome desses mesmos velhinhos.
Paradoxalmente vemos os tubarões, administradores de empresas públicas, do banco de Portugal, da caixa geral de depósitos, da provedoria de justiça, de autarquias diversas, que com reforma chorudas continuam nos seus postos optando ora pelo ordenado e por um terço da reforma, ora pela reforma e um terço do ordenado o que, na prática, se traduz num aumento mensal de mais de trinta por cento. Estamos perante a situação denunciada pelo poeta cantor no tempo do Estado Novo: “eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada”. Não se entendam estes reparos apenas ao governo actual. Nem de perto nem de longe. Estas são situações que vivemos há dezenas de anos e todos os governos têm a sua quota-parte de responsabilidade nesta situação, se calhar até maior, já que nunca tiveram a coragem de cortar nas benesses dos políticos e este parece que cortando não corta.
O Peixelim, mais uma vez, não só não tem valor como é enganado pelas diatribes dos roncadores e engolido pela fome insaciável dos tubarões.
E que temos nós academistas a ver com isto perguntarão alguns, com carradas de razão? Aparentemente nada. Praticamente tudo. Então nós não estamos em posição de podermos reivindicar sem medos o que julgamos justo? Então a Academia não serve para defender valores? Então nós que temos um conhecimento de experiência feito não temos o direito, mais, o dever de nos rebelarmos contra esta intromissão do Estado na vida familiar? Então ao Estado não cabe apenas a função de regulador e de distribuidor da riqueza que o País produz e não deve fazê-lo com equidade, transparência e honestidade? Se temos um Estado que não é capaz de cumprir estes dois simples e corriqueiros objectivos para que é que precisamos do Estado?
A acção social do Estado há muito que está estudada, com leis e teorias, que vêm de há muito e remontam aos “pais fundadores” da sociologia como Émile Durkheim, Max Weber, Guy Rocher, Rousseau, Comte e outros, que desde o século XIX defendem posições sociais que ainda hoje são fenómenos da actualidade pela influência que ainda continuam a exercer nas sociedades, ditas desenvolvidas. A industrialização, a urbanização, a solidariedade orgânica são contextos de uma libertação e independência individual assente precisamente na diferenciação do indivíduo, sem tutelas nem controlos externos, ainda que interdependentes na acção e na vivência pessoal. Todos dependemos de todos.
A Velharia, termo usado – sem qualquer sentido pejorativo - mas carinhoso e respeitoso merece, por parte dos mais jovens, em geral e dos governos em particular, uma atenção que não se coaduna com o desrespeito e com a mistificação com que está a ser tratada. A vetustez inerente à idade exige, no mínimo, respeito e consideração, tanto pelo conhecimento de que é detentora como pelo muito que já fez pelo País, com o seu trabalho, a sua dedicação, a sua inteligência e até com o seu sacrifício.
Por tudo isto e muito mais que poderíamos enunciar os Academistas Seniores da Covilhã não se poderão calar e, no respeito integral pelos seus Estatutos, compete-lhe denunciar atropelos ao mesmo tempo que é sua obrigação defender valores que não se coadunam com a postura e a compostura dos roncadores e dos tubarões.
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