Saudações a todos os presentes e ausentes.
É um prazer e um orgulho estar aqui presente num convívio que assinala um considerável percurso profissional.
Lembro, antes de mais, todos aqueles que, pela lei da vida, já não estão entre nós e são alguns (muitos). Mas eles e elas estão e estarão sempre na nossa memória e nós teremos imensa saudade de todos.
Lembro também todos aqueles e aquelas que, por vicissitudes várias, não puderam ou não quiseram estar presentes. Lastimamos a sua ausência. A minha provecta idade permite-me dizer, com saber de experiência feito, que não sabem o que perdem. Estes momentos são rejuvenescimento. São recordações de um tempo em que fomos muito felizes e lhe demos relativa importância. São momentos de reviver coisas, eventualmente, ridículas, mas que seria da vida sem essas coisas ridículas? Seria, porventura, mais insonsa, mais monótona, menos interessante.
Dizer, também, como nos orgulhamos da profissão que escolhemos e do inestimável serviço que prestamos à sociedade, à pátria, à Nação. Não esperamos, nem queremos honras ou condecorações mas exigimos o respeito que nos é devido, pelo enorme esforço e pelos resultados que obtemos no desempenho da nossa função. Não há Juiz, Médico, Ministro, Presidente da República, General ou Almirante, que não nos deva parte do sua posição social e da sua função.
Para terminar quero dizer que os rapazes estão com alguns cabelos brancos a mais, com cabelo a menos, barriga mais arredondada. As meninas com mais uns quilitos, mais loiras, uma ruga aqui outra ali, menos disfarçada, umas queixas de dor nos ossos e calores injustificáveis. Mesmo com este aspecto exterior diferente, mantemos a jovialidade de outros tempos.
Por fim uma espécie de poesia para relembrar, com um abraço muito fraterno e muito amigo:
Noutros tempos, no Fundão,
No Café da Avenida, Portugal,
Reunia em tertúlia intelectual
Uma certa e irreverente juventude.
Querendo com esta atitude,
Vir a ser um bom professor,
Para ser interlocutor e interventor,
Numa sociedade em mudança,
Que necessitava desta pujança.
Já lá vão quase quarenta anos,
De lutas, alegrias e desenganos,
Mas sempre de cabeça erguida,
Olhando de frente a vida,
Nem sempre compensadora
Porém, muito sedutora.
A saudade, apenas, traz às claras,
Vivências extraordinárias, preclaras,
Duma existência fecunda.
Mostrando que só é profunda,
A vida que se dá e se transmite,
Nem que seja, das forças, o limite.
Com a consciência, leve, tranquila,
Por, na aldeia, cidade ou vila,
Termos cumprido com galhardia,
A missão espinhosa, de maior valia,
Que uma Nação pode esperar
De seus filhos, que é aos outros amar.
Zé Rainho
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