Friday, September 25, 2020

MARINHEIRO!

 

Uma canoa amarrada no Cais,

Balança ao ritmo da ondulação,

Querendo navegar e o arrais,

Ordena bom senso à tripulação.

 

O marinheiro atrevido, corajoso

Anseia pelas ondas do mar alto,

Onde se sente homem ditoso,

Vivendo sem medo ou sobressalto.

 

Apenas leva consigo a saudade,

Da noiva que deixou triste chorosa,

Mas tem confiança que com a idade,

A transformará em sua esposa.

 

Enquanto isso num qualquer porto

Em que atraca, procura um arrimo,

Um amor fugaz, que dá p'ra o torto,

Deixa remorso e mostra o perigo,

 

Que é a traição, mesmo esporádica,

Sem cálculo ou predestinação,

Que leva um homem de forma atávica

A, sem pensar, prosseguir na traição.

 

Mas ao regressar ao cais da partida,

Está à sua espera a Maria da Luz,

Que passou o tempo a rezar, sentida,

Pelo regresso do amor que a seduz.

 

 

 

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