Como eu, que o conheci bem, porque
quando o nosso avô morreu já era homem feito, casado e com uma filha de
cinco anos, posso afirmar que apenas se pode atribuir ao avô a sua fraqueza
familiar de origem que o condicionou toda a vida e fez dele um homem frustrado
e por vezes violento, principalmente para a avó e para com os filhos, porque de
resto sempre foi um HOMEM de honra, de saber e vertical.
Tinha defeitos como todos nós mas
tinha muitas virtudes e nós somos o resultado da educação que ele ministrou aos
seus filhos e dos valores que lhes incutiu.
Foi um aventureiro, pois nunca se
acomodou às situações. Desde logo por ter recusado a promoção a sargento quando
estava na tropa e já era pai de dois filhos, por não concordar com o sistema e
não se rever numa carreira da “lateiro” em linguagem de caserna. Foi para a
França como emigrante no início da década de trinta do século passado. Levou a
família e, trabalhando muito vivia bem como é visível na fatiota dos filhos e
na própria. Esteve lá poucos anos porque a sua instabilidade emocional não lhe
permitia estar muito tempo no mesmo lugar.
Agarrou-se à desculpa de que não
queria que um filho que vinha a caminho nascesse francês e, como tal, mandou
para Portugal a avó com os restantes filhos que ele depois viria juntar-se à
família. Assim aconteceu mas, como o dinheiro não se lhe pegava às mãos foi
preciso vender um prédio para lhe enviarem o dinheiro para custear as despesas
da passagem de combóio. Era esta a índole do nosso avô. O seu desapego aos bens
materiais fora sempre o seu calcanhar de Aquiles e, por isso, deixou os
primeiros filhos crescerem sem a habilitação literária mínima e estes viram-se
obrigados a trabalhar desde muito cedo para suprir às carências de casa mas,
porventura, foi esta situação negativa que fez dos nossos maiores, homens e
mulheres de uma garra e tenacidade acima da média. Talvez tenha sido a
dificuldade sentida que os fez crescer como seres humanos e como pais melhores
do que o deles.
É esta a nossa História próxima e
remota para que conste e para os mais novos se possam rever nesta história de
vida que se transformou em muitas outras histórias que são a história de cada
um de nós.
Aos mais velhos, meus tios, Elisa,
Joaquim, António e Paulina ainda vivos e de boa saúde, graças a Deus, peço a
devida e necessária correcção baseada nas suas lembranças mais remotas.
Muito mais há a contar. Vamos ver
se o conseguimos.
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