Nota Introdutória
A presente narrativa tem como base
factos verídicos o que não quer dizer que, como narrativa que pretende ser, não
contenha em si, alguma dose de ficção. Assim, tratando-se de um livro
romanceado não pode deixar de, através de umas tantas metáforas e outras tantas
realidades, tentar criar no leitor a vontade de ler, ler mais e ir conhecendo a
trama e o desenlace da história.
Esperamos conseguir este desiderato
junto de todos e cada um dos leitores, à maneira e forma de estar na vida de
cada um. Se conseguirmos ganhar para o gosto da leitura e da literatura, nem
que seja, apenas, mais um amante, já nos damos por satisfeitos e com o sentido
do dever cumprido.
I
Pretende-se que o Livro - não lhe chamemos livro chamemos-lhe apontamento, que aqui se
começa, seja, inteiramente, dedicado ao leitor. Consequentemente impõe-se que
as primeiras palavras lhe sejam dirigidas, à guisa de explicação, para que a
metáfora do título faça e tenha, algum sentido.
Sempre se ouviu dizer dos Mestres que o
Livro é mais do leitor do que do escritor e compreende-se porquê. O escritor é
um narrador e, como tal, limita-se a debitar para o papel alguns conhecimentos,
histórias, vivências, fantasias, invenções; enquanto o leitor imagina cenários,
paisagens, personagens, cada um à sua maneira e, de acordo com a sua própria
personalidade, sensibilidade, sentimentos e emoções do momento.
E é esta permuta que torna o livro um instrumento de prazer. Um amigo, sempre disponível que, desabafando, cria espaço para, silenciosamente, ouvir o leitor, identificando-se aqui, com determinada passagem ou acontecimento, discordando ali, com uma ou outra descrição, estimulando a crítica, que se pretende objectiva e construtiva. Isto é bom para o escritor e é bom para o leitor, porque aguça o engenho e a arte de ambos, no pressuposto de um aperfeiçoamento que a todos enriquece.
É neste contexto e nesta presunção, de
que tendo capacidade para estabelecer com o leitor esta cumplicidade, que nos
atrevemos a encetar esta narrativa que, ora será metafórica, outras vezes
realidade e, muitas outras, nem uma coisa nem outra, apenas desabafos, algumas
invenções, situações vividas ou que gostaríamos de ter vivido.
No fundo, histórias passadas e caminhos
percorridos numa vida sexagenária que teve de tudo. Bom, mau, mais ou menos,
assim, assim. Óptimos momentos de amor, ternura, felicidade, entremeados de
sentimentos de insegurança e o seu contrário. Algumas dificuldades pessoais,
profissionais e muitas facilidades, abundância, riqueza de amizades que duram e
perduram no tempo, amores que se reinventam e se consolidam aumentando sempre
exponencialmente. Alguns ódiozinhos de estimação – se calhar isto é exagero –
ódios não, mas desprezo sim, por gente mesquinha, invejosa para quem o Ter é
mais importante que o Ser. Pessoas que, como costuma dizer um amigo cheio
daquela sabedoria que só a provecta idade consegue transmitir e assimilar,
Militar de Carreira, muita experiência de vida social e comunitária: “gente
menor”.
São vidas dentro de outras vidas,
pessoas e factos que foram importantes – mais do que importantes, decisivos –
para quem pretende transpor para o papel uma visão multifacetada de saberes e
vivências que contribuíram para personagens que convosco querem compartilhar
momentos significativos, outros nem tanto, mas sempre relevantes, duma
personalidade que se orgulha do seu passado e do seu presente e tem a convicção
de que se há-de orgulhar sempre, até à morte física ou cerebral, enquanto for
um Ser pensante.
No comments:
Post a Comment