Sou um leitor compulsivo. Leio tudo o que me aparece à
frente. Jornais, revistas, livros. Vejo televisão, notícias, debates, filmes e
séries. É o gosto por aprender até morrer e, nestas fontes aprende-se muita
coisa. Aprende-se, por exemplo, que há Jornalistas e jornalistas. Os primeiros
são profissionais sérios que têm da profissão a noção de missão e por isso são
rigorosos, verticais, independentes. Os segundos é gente menor que se limita a
digitar no computador www mais qualquer coisa para fazer uns escritos mais ou
menos inócuos, mais ou menos supérfluos, mais ou menos lisonjeiros para com
quem lhe paga ou lhe pode fazer favores, mais ou menos rasteiros na abordagem
de temas da actualidade ou de temas de vacuidade.
Vi no Público um artigo do João Miguel Tavares sobre a D.
Hortense de Castelo Branco, mulher do ex-presidente da Câmara, que é
demonstrativo de jornalismo de qualidade. Informa, escalpeliza, mostra com
evidências como os poderosos são protegidos neste país, mas deixa que cada um
tire as suas ilações. Como, aliás, há mais uns, poucos, que merecem ser lidos e
analisados. O Miguel Sousa Tavares, o João Vieira Pereira, o Pedro Santos
Guerreiro, a Ana Leal, a Clara de Sousa, a Alexandra Borges o Nuno Rogeiro, o
Camilo Lourenço e poucos mais. Posso estar a esquecer-me de alguns, perdoem-me.
Mas a esmagadora maioria é de uma pobreza franciscana. Não só não sabem
articular meia dúzia de linhas como não procuram assunto ou notícia de relevo e
importância. Até gastam muito papel e tinta mas espremido o conteúdo, não
deita xerume.
Se passarmos para os cronistas então nem se fala. Quase
todos são de facção. Opinam pondo à frente do interesse do público a sua base
ideológica. São pretensos catequistas morais que pretendem educar, condicionar
e manipular o leitor.
E a arrogância de algumas figuras da televisão, já se deram
conta? Donos do saber. Donos do público que lhe dá audiência. E o que fazem?
Escalpelizam, até ao tutano, a desgraça alheia. A miséria moral e material. A
violência e a calamidade natural ou provocada.
Faça-se uma passagem pelos canais televisivos, de manhã à noite
e que vemos, em todos sem excepção, a coscuvilhice levada à náusea.
Não há um programa de cultura. Não há um programa de,
verdadeiro, entretenimento. Há umas entrevistas manhosas e, no intervalo,
sempre longo e entediante, o apelo, que é quase coacção, aos telefonemas de
valor acrescentado para os pobres pagarem os ordenados chorudos e as
extravagâncias das empresas de televisão.
No comments:
Post a Comment