Tuesday, October 27, 2020

Jornalismo!

 


Sou um leitor compulsivo. Leio tudo o que me aparece à frente. Jornais, revistas, livros. Vejo televisão, notícias, debates, filmes e séries. É o gosto por aprender até morrer e, nestas fontes aprende-se muita coisa. Aprende-se, por exemplo, que há Jornalistas e jornalistas. Os primeiros são profissionais sérios que têm da profissão a noção de missão e por isso são rigorosos, verticais, independentes. Os segundos é gente menor que se limita a digitar no computador www mais qualquer coisa para fazer uns escritos mais ou menos inócuos, mais ou menos supérfluos, mais ou menos lisonjeiros para com quem lhe paga ou lhe pode fazer favores, mais ou menos rasteiros na abordagem de temas da actualidade ou de temas de vacuidade.

Vi no Público um artigo do João Miguel Tavares sobre a D. Hortense de Castelo Branco, mulher do ex-presidente da Câmara, que é demonstrativo de jornalismo de qualidade. Informa, escalpeliza, mostra com evidências como os poderosos são protegidos neste país, mas deixa que cada um tire as suas ilações. Como, aliás, há mais uns, poucos, que merecem ser lidos e analisados. O Miguel Sousa Tavares, o João Vieira Pereira, o Pedro Santos Guerreiro, a Ana Leal, a Clara de Sousa, a Alexandra Borges o Nuno Rogeiro, o Camilo Lourenço e poucos mais. Posso estar a esquecer-me de alguns, perdoem-me. Mas a esmagadora maioria é de uma pobreza franciscana. Não só não sabem articular meia dúzia de linhas como não procuram assunto ou notícia de relevo e importância. Até gastam muito papel e tinta mas espremido o conteúdo, não deita xerume.

Se passarmos para os cronistas então nem se fala. Quase todos são de facção. Opinam pondo à frente do interesse do público a sua base ideológica. São pretensos catequistas morais que pretendem educar, condicionar e manipular o leitor.

E a arrogância de algumas figuras da televisão, já se deram conta? Donos do saber. Donos do público que lhe dá audiência. E o que fazem? Escalpelizam, até ao tutano, a desgraça alheia. A miséria moral e material. A violência e a calamidade natural ou provocada.

Faça-se uma passagem pelos canais televisivos, de manhã à noite e que vemos, em todos sem excepção, a coscuvilhice levada à náusea.

Não há um programa de cultura. Não há um programa de, verdadeiro, entretenimento. Há umas entrevistas manhosas e, no intervalo, sempre longo e entediante, o apelo, que é quase coacção, aos telefonemas de valor acrescentado para os pobres pagarem os ordenados chorudos e as extravagâncias das empresas de televisão.

 

 

 

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